domingo, 15 de novembro de 2009

TUNA de VETERANOS de Viana do Castelo



unidos pelo compasso;

pelos momentos de farra;

pelo ouvido;

pelos tunos;

pel'a música

pela terra

pelo amor


Um pequeno excerto... "Cantar de emigração" - Rosália de Castro




Certame de Cuarentunas de Viana do Castelo 02 03 Maio 2008 Teatro Sá de Miranda
Ouçam lá!!!

Homenagem ao Mestre Pedro Barroso
Dia 30 Novembro - Teatro Sá de Miranda em VIANA DO CASTELO
Para quem ainda não ouviu....




"Esperança" Pedro Barroso com Tuna de Veteranos de Viana do Castelo e Coral Polifónico de Viana do Castelo Certame de Cuarentunas de Viana do Castelo 02 | 03 Maio 2008 Teatro Sá de Miranda

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

a transportar

dos apêgos à loucura
..
voam transitóriamente
.
palavras transportando
..
sentimentos nobres

domingo, 6 de setembro de 2009

} POLAR

> Imagem: XV Bienal de Vila Nova de Cerveira 2009 (Forum Cultural.Pavilhão 2)
PROJECTO DE FÁTIMA LAMBERT “INCORPORAL, SIMULACRO OU INTANGÍVEL”
Autor: MARCELO MOSCHETA
Título: "CIRCULO POLAR ARTICO"/2007
[..].[....]

Entro no polar das suas pernas
Ouve-se o bater de uma porta
Soltam-se algumas palavras enigmáticas…
E’la traz consigo o mistério intrépido
Escorrega, escorrego nos seus lábios
SERPENTEIAM-SE labirintos

Entre os cálidos contornos,
Insisto em: domar… domar
Derretem-se os pólos quando não estamos,
Quando nos imaginamos
Quando tentamos domarmo-nos
Quando exaltamos a profusão polar

sábado, 8 de agosto de 2009

holidays by DAY







{Moledo e St. Tegra (Espanha)}



{Queda d'água Pincho - Rio Ancora -S. Lourenço da Montaria}







{Vegetação zonas ribeirinhas do Ancora}



{Sil,Carla e Bruni}



{Interior Gil Eanes - Viana do Castelo}




{Jantar Empresa Qta. do Cruzeiro - Francisco&Celeste}



{Jantar Empresa Qta. do Cruzeiro: Ruimiguel&Moi}



alguns momentos em férias com família, amigos, ambientes diferentes....) atmosferas circundantes

quinta-feira, 16 de julho de 2009

SAl_e_CorPo




afago o ar que vem,
entro pelo mar (a)dentro
encontro a brisa que vem de longe,
ouço o silêncio,
o som que fica, permanece
salpica meu corpo
com sabor a gotas salgadas

entro, na nossa magia
os desejos ultrapassam todas as ondas do sentir
tremo de ardor interior
o meu corpo entra em contacto com o teu
escorregamos,
sentimos na nossa língua o sal atravessando a nossa pele
sedentos de tocarmo-nos,
perdemo(nos) no mar (a)dentro

a água intensifica a inevitável viagem...

esta é a poesia que desejo ouvir de ti
está é a poesia que escolhi para nós
!afaga-me!

terça-feira, 14 de julho de 2009

UM MOmenTO úNIco

Um momento único,

vivido, inacabado...

em desiquilíbrio...

puro...

abafado em desesperos mudos,

entre o esqueleto da mentira,

onde o obstáculo estimula

uma fogueira intensa

um sofá, uma varanda...

nunca fui poeta, mas faço estremecer...

as colunas do teu corpo,

a cobardia repugna os sentimentos frios...

entre nós: um único momento

para além das entrelinhas, um único perfil: maria

onde a minha "inconstância" te fez revelar , revelar... até (...)

desistir... ela é completamente doida!!!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cultura Artesanal_ HELLA JONGERIUS




Leva-me a iniciar uma viagem à linguagem dos objectos, talvez uma viagem à mistura da cultura artesanal, através dos desenhos de HELLA JONGERIUS, entende a ideia de arte ligada ao contexto e não à utilidade. Natural de Holanda, começa por estudar carpintaria, passando a interessar-se pelo desenho do objecto, estuda desenho industrial na academia de Eindhoven, após um percurso inicial, cria a sua própria marca Jongeriuslab, situada no dilema: "o único frente ao industrial, o futurista de 2050, frente ao passado do ano 1700...", nela encontramos o romântico de uma menina com os pés na terra e o indústrial da poderosa mulher cosmopolita. Procura oferecer peças únicas com origem em processos industriais, usando novas técnicas e materiais, misturando elementos mais vanguardistas e revolucionários com tradição artesanal. Conjuga arte com vida, a ruptura com o ambiente e com o pré-estabelecido, toca quase o impossível... um presente para os nossos sentidos.


IKEA PS Pelle, Mikkel and Gullspira Date: 2009 Commissioned by: IKEA, Sweden

Em 2009, cria "wallhangings" comissionado pelo IKEA e o programa da Unicef, ajudando mulheres indianas a criarem a sua própria subsistência para que os seus filhos possam ir à escola. Aqui, encontramos a delícia dos humildes, através de peças têxteis elaboradas à mão, com o calor das cores e o conceito dos animais proposto na linha de trabalho de Jongerius...


“They refer in an abstract way to animals featured in Swedish fairy tales. Animals have already been featured in much of my earlier work; they trigger first and foremost the imagination. An animal has the power to be familiar; expressing moods comparable to the moods of human beings, and at the same time an animal remains puzzling.” in
Atrás dos desenhos de Jungerius, verás muito mais que "desenhos"!

terça-feira, 30 de junho de 2009

OLHAR_de_DENTRO


A história da erupção do ser, é o mesmo que Eu, que Maria, não é um caminho dourado, nem como o de uma personagem do Mago de OZ, nada mais longe dessa realidade. O meu percurso é a busca da linguagem, talvez, uma viagem ao coração da gente, como fazia Marilyn Monroe: só trabalhava para que a quisessem, mas eu procuro interpretar – a interpretação do mundo que me rodeia, interpretando-o com um único meio: aquele que sei transmitir as minhas inquietudes, escrevendo um sentimento, uma história real desde dentro, sincera, cheia de vivências, de lágrimas, pelo que nunca chegou ou já se foi, pelo momento perdido, pelos problemas, e hoje pela alegria de ser como sou.
Esta é a minha forma de dizer aos outros que podemos desfrutar da vida sem demasiadas coisas, só com as necessárias para nos sentirmos bem.
Por vezes queria mudar o mundo, talvez torná-lo mais real ou duro, mais (…) é uma viagem que leva tempo, um longo tempo talvez. Quanto? Não sei. Quanta dedicação… mas, é um desafio todos os dias aceite.
Através de um mínimo contacto, um texto, uma música, um som, uma voz, uma imagem, uma fantasia, conto o que vou descobrindo, o que o outro me leva a descobrir – a cada dia.
Só com um fim: tentar fazer com que a vida não deva ser tão difícil como às vezes queremos torná-la ou como a pintamos, onde existem milhares de experiências sem preço, e que são assim…
Seria mais fácil encontramo-nos na fonte onde nasce a felicidade…
As entrelinhas desta história são “elos” em estado puro, representam e plasmam tudo o que são as minhas inquietudes, os meus medos, as minhas paixões, o meu amor, reflectindo…
Tento oferecer sempre o melhor de mim, às vezes não consigo.
Se és capaz, dentro de esta mulher há muito mais que dureza, insegurança…
Se o descobrires terás entrando no meu mundo, que é o mesmo que Eu.
[para um ser especial]

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Um clique::: [O início]




O "olhar" do desconhecido sobre Mim _

Na verdade, a realidade simulada produzida pelas novas tecnologias nunca me atraíu, mas de facto, há algum tempo, frequento um programa de conhecimento, do qual têm ressaltado algumas experiências enriquecedoras para o entidimento da realidade que me cerca e de mim própria. Por muito que teime, envolvo-me de alguma forma, porque sou um ser humano que não vive sem se relacionar. Pensei... vou dedicar alguns momentos do meu blogue ao primeiro momento em que duas pessoas iniciam, e avançam no processo de conhecimento, que na maior parte das vezes é fulminante, nao chegando a percorrer os passos necessários para o amadurecimento dos nossos desejos.

Para além da curiosidade de não sabermos quem afinal "toca_nas_letras_do_teclado_invisível", mesmo após o som de uma voz... me pergunto: Como será? Que pretende?.

Este é um pequeno excerto dedicado por um homem "O Desconhecido" que nada conhece de mim e eu vice versa, mas que do pouco contacto que mantivemos e sem nada pedir, após termos ouvido as nossas vozes, resolveu deixar-me uma mensagem sobre como me vê, sente...não sei, aqui vai:

«O Desconhecido »
Tens um olhar doce e suave, és muito convicta daquilo que dizes, achas-te segura e tens um grande coração de manteiga. A tua postura é tão forte que faz pensar os outros, já te magoaram e marcou-te imenso, esta tua firmeza é a prova disso, não procuras um amor, condiz mais contigo ele aparecer e te convencer, sentes algum medo nestas coisas, acreditas que alguém vai ter de trabalhar e muito para te conquistar, és uma reserva para provadores de bom gosto, tens um ar muito sério e um charme sem limites, tens 75% de introvertida o resto deixas para a imaginação dos outros, és bastante autoritária o que faz de ti uma personalidade forte e perspicaz, estás sempre atenta ao mínimo detalhe. Também és flexível e neste contexto vais vendo sempre até onde os outros querem chegar. Com toda a sinceridade do mundo, gostei imenso de ti, as tuas qualidades deixam-me maravilhado. Acredito que não vá Ancora ou Viana por tua causa, mas também acredito que em Guimarães fico muito orgulhoso de te ter conhecido, falar contigo ao telem não foi um passo. Um beijo com muito carinho de quem teve o privilegio de ter "teclado" contigo. Obrigado pela foto, és de facto uma mulher fantástica. O Desconhecido.»


Não vou aqui, tirar elações ou conclusões, pois o tempo encarrega-se dessa análise consciente e incosnciente.


Agora apetece-me SORRIR e ver-me sorrir!

>>>>>>La musique>


«la musique est un écho d’états dont l’expression conceptuelle était le mysticisme; un sentiment de transfiguration, d’illumination chez l’índividu. Ou encore, La conciliation des antinomies internes à l’intérieure d’une synthèse nouvelle, la naissance d’une tierce réalité»

NIETZSCHE, Friedrich. La volunté de la puissance, p. 387

[Na imagem, Caminha invernada, encharcada ao início da noite, iluminando a aurea de quem ali passa e não fica indiferente, esta é a música que bate em meu ser]

Michael Jackson....:my king


Momentos de alegria,

cresci querendo ser alguém maior,

dançando ao teu som,

tentando imitar os teus passos,

ali... estava eu ainda "bem pequena" vidrada no televisor.


Marcamos a história de nossas vidas, continuamos marcando.

Irreverentes, diferentes...

uma presença que me leva a outro mundo...

ao qual vamos com o nosso espírito sempre que desejamos,

esse és tu...

a memória é eterna,

eternamente recordo, revivo, todos os momentos

residente onde só nós os dois habitamos

hoje a dança é tua:moonwalk

eu acompanho-te

para sempre



sábado, 20 de junho de 2009

SoNs de CUba [COMPAY SEGUNDO] DUETS

Viagem até aos anos 50 com COMPAY SEGUNDO, numa alegre manhã de sábado inspirada com sabor único: duets – fenómeno da música popular de cuba, matém-nos sempre o ouvido atento dilacerado a começar pelos legendários Lorenzo Hierrezuelo e Francisco Repilado. A duas vozes marcam encontro com o som das guitarras, mistura de culturas com Charles Aznavour, Cesária Évora, Lou Bega, Elíades Ochoa, Pío Leyva, Sílvio Rodrigues, Pablo Milanês, António Banderas, entre outros. Apresento, agora Saludo a Changó com KHALED, cantor argelino, [letra de Armando Dulfo] numa interpretação onde dois homens a duas vozes se identificam em contrastes que se tocam.



Não resisto em apresentar “algo” divinal, desfilando pelas ruas de cuba, entre o correr apressado dos táxis, o correr das crianças, os "rabos de saia" adornando as janelas, as cores, os contraste da cor da pele transpirada entre lábios carnudos, entre todos, despoletam-se todos os sons e odores, entre este e o outro charuto... solta-se a guitarra numa cidade efervescente que acredita nos sonhos: Buena Vista Social Club, uma casa de shows que desapareceu na década de 50 dá origem em 1996 (com o produtor musical Ry Cooder) a um disco "Buena Vista Social Club" onde reúne artistas cubanos que tocavam na década de 40 e 50 nesta casa de shows, entre eles, participam Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Omara Portuondo, Eliades Ochoa, Faustino Oramas e Rubén Gonzáles. Este momento deu origem, ainda, ao documentário com o mesmo nome (1999) realizado por Wim Wenders [http://www.wim-wenders.com/art/buenavistasocialclub.htm], onde reúne as histórias, a vida e a música dos vários cantores cubanos… e o seu reencontro no palco para o mundo.

alguns momentos ...




quarta-feira, 17 de junho de 2009

_abraÇo




o som, a música


tem a capacidade de transformar,


acabar com a anemia
que percorre todo os ser interior

abuso, deliro
é verdade

traz até mim aquele abraço ausente...

domingo, 7 de junho de 2009

> elle me devore


Entre as sombras
Entre a pouca luz
Um perfil
Um movimento
Apaga e Acende.

Entre meus olhos
Seu perfil
Ondulante, macio como veludo
Impossível tocá-lo
Impossível ultrapassar a pouca luz.

Vivo por um instante
Devora-me num olhar
Esse corpo que se desenha
Devora-me,
O mais belo momento.

Despe-me a alma
Transporta-me para a magia
Sem tocar,
Solta-se a fera vil.

DEVORA-ME.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Ele não eXISTE

«Quero ouvir a tua voz junto ao meu ouvido
mas, bem junto do meu ouvido
e sem aparelhos electrónicos pelo meio
porque do ouvido
passa à face
percorre toda a suavidade do teu rosto
roça ligeiramente nos lábios
passa para a outra face
deliciosamente suave

por fim volta...
e toca os lábios

o mundo pára
só existem dois seres
respiram um para o outro
numa cumplicidade brutal

por fim, beijam-se
um beijo quente
abrasador

todo o corpo treme
perdemos os sentidos
depois do beijo quente
abrasador
onde os corpos tremem e os sentidos se vão

onde a única realidade
a pura da realidade
é o instinto animalescamente puro
que vive desse calor
vive de um estado de inconsciência pura

usufruindo de cada segundo
cada milímetro
do corpo

até ao êxtase

(hhhuummmm)

meu deus
tens razao
eu tou completamente louco...isto nao é normal»

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Mayra Andrade

Apresentação do novo album "Stória Stória", amanhã 04 de Junho 21h30 - Coliseu do Porto

Uma das minhas companhias nos últimos dias (...)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

As seis cordas

As seis cordas
Uma viola que embala
E apaga o ontem
Surge um registo novo: o agora

Abraçado a ti
Nascem momentos de paz, de ira… de amizade íntima, de harmonia
Transportamo-nos para o espaço
Não é um namoro,
Mas sim fruto de um diálogo entre tu e eu…

As palavras não surgem
Mas a comunicação continua
Surge um grande afecto
Entre os meus dedos, o nosso toque
Respondes ao som dos meus dedos
Movimento perpétuo
Raiz do nosso ser
Entre as seis cordas
Quantos segredos
Quantos mistérios
Transformados em Sol

Uma valsa
Ao fundo o rio sobre a noite
Nós os dois entre fantasias, baladas
Em memória dos sentimentos passados
De um romance,
Um amor inacabado,
Um desejo nunca conseguido,
Um grito que teima em não sair…
Uma vontade de fugir
Um sentimento inútil
Um ser incapaz
Enquanto tudo isto devolves-me o sentir
Quando atingimos o êxtase durante trinta segundos…
O teu nome soa entre o som: a minha viola

Quebra-se o som, ferem-se os sentidos
As seis cordas arrebentam o meu interior
Porque o ego da luxúria se apoderou de ti
Pelo S. fraco de uma violação desenfreada pelo vazio
Pela precocidade vil numa tentativa estéril
De um mero encontro de prazer banal

Dizes “ironia do destino”
Acredito antes, escolher o animal incapaz que está dentro de ti

As seis cordas adormeceram
Porque não sei as notas que me ensinaste
Porque não me deste hipótese de aprender a tocá-las.
[27.05.2009]

terça-feira, 26 de maio de 2009

O SILÊNCIO II


Reconheço a minha dificuldade por vezes em lidar com o silêncio que vem dos outros, então para ultrapassar e dizer o que me vai na alma, passarei a descrever o meu dia de ontem, preenchido com alguns momentos de silêncio em circunstâncias diferentes, procurando entender-me e entender os outros.

O dia de ontem, segunda-feira, inicia-se com uma viagem a Trás-os-Montes (Chaves) percorrida por Ourense-Verín, com o objectivo levar o meu pai a visitar seu pai e, visitar meu avô, hospitalizado. Após a burocracia do Hospital para visitarmos o nosso familiar, vimo-nos obrigados a entrar pela porta do cavalo. Finalmente chegamos ansiosos ao Piso 5, Medicina 2 ENF. 2 Cama 6. (O seu quadro clínico com noventa e dois anos é flutuante entre uma pneumonia grave e a extracção recente de um carcinoma no nariz que ultrapassou a pele.).


Não é fácil estabelecer o encontro com alguém que nos segurou a mão, trabalhou horas a fio os campos com as mesmas mãos e, agora todos os seus órgãos se remeteram ao silêncio, em que o que ressalta é o esforço em respirar pela boca e o barulho das máquinas. Estacada bem à sua frente ele não me vê, não me ouve, será que não me sente? É um estado em que somos obrigados a remetermo-nos ao seu silêncio e às memórias de outros momentos. Senti-me inútil pois o meu desejo em confortá-lo como o fizera outrora, tinha mudado. Agora, mantive-me conversando com ele em que as palavras surgiam mentalmente mas não chegavam à boca, pretendia que o seu coração ouvisse e já não os seus ouvidos. Este traduzia o primeiro momento em que me encontro com o silêncio, mas este teimava não ser o único.

Ao seu lado na cama 5 um Homem, com alguma idade, cabelo e barba completamente branco, sobre uma pele bem morena, com marcas de queimaduras antigas, ressaltavam os seus olhos azuis ternurentos. “Magro como as palhas”, estatura bem alta em que a magreza ressaltava todos os ossos e todos os movimentos internos do seu corpo, como se a sua pele fosse transparente. Era um ser desconhecido que me olhava e que provavelmente me queria dizer algo, mas na linguagem onde o silêncio do momento é avassalador… aproximei-me. Reparei que queria puxar o leve lençol. Tinha os braços presos à cama e estava ligado ao soro. À medida que me aproximo ele fala comigo e diz-me baixinho, pois poucas eram suas forças: «Nunca fiz mal a uma mosca», repetidamente, eu escutava novamente. Não tive palavras, olhei-o dentro dos seus olhos redondos azulados e acariciei o seu rosto. Ali estávamos nós os dois dando algum calor aquele silêncio do momento. Repeti este gesto, enquanto me dizia ter perdido a mulher e que se conseguisse fugir dali nunca mais voltaria. Mantive-me ainda mais algum tempo cobri-o, e ele esforçava-se por fechar os seus olhos, mas em poucos segundos os voltava abrir. Continuei tocando o seu braço e o seu peito para que sentisse que ainda ali estava. Mas não pude permanecer o tempo que desejávamos, chegou o lanche e tive de abandoná-lo naquele silêncio.

Aquele silêncio é extremamente “pesado” pois estou diante de homens fortes, que se debatem entre resistir ao fio da vida, e querer sair dali, para onde… não sei. Talvez voltar para a vida que tiveram, ou talvez algum arrependimento… que só chega quando se encontram ali sozinhos em silêncio, despidos de coragem, de arrogância, de grandes actos… resta-lhes a pele e osso.

As horas continuavam a marcar o tempo e o silêncio, o dia ainda continuava e mais tarde após este dia um último momento de silêncio. Este estabelece-se com outro ser masculino com quem venho ou vimos a travar algum conhecimento afectivo e que desde domingo passado, entre telefonemas e mensagens, surge como resposta: o seu silêncio. Silêncio este sem um porquê? Mas que me obriga a ficar em silêncio com poucas forças após um dia repleto de emoções. Como entender, que duas pessoas na flor da vida se remetam a este silêncio, quando um dia serêmos tomados pelo silêncio sem termos optado. Ou será que a condução das nossas vidas limita a forma desse silêncio?

Antes de adormecer, peguei no meu fiel amigo Mohandas K. GANDHI: a minha vida e as minhas experiências com a verdade. Procuro juntamente com ele o entendimento da sua vida e que este me possa levar ao entendimento da minha. Digamos que estabeleço sempre que posso um diálogo profundo entre cada passo dado, os que dei hoje e preparar-me para os ainda não chegaram.
No livro (a parte que acompanho actualmente) GANDHI conta a sua vida no momento que vai estudar para Inglaterra em vários episódios que marcam a sua experiência. Um desses momentos intitulado 18. a timidez é o meu escudo, (página 73) fala sobre o silêncio e diz-nos o seguinte: «a experiência ensina que o silêncio faz parte da disciplina espiritual daquele que busca a verdade. A tendência para o exagero, para suprimir ou adulterar a verdade, consciente ou inconscientemente, é uma fraqueza do homem, e o silêncio é necessário para que se possa superar estes momentos.»
Reflectindo sobre as palavras de GANDHI, transportadas para os momentos vividos em silêncio de ontem - poderemos dizer que o meu avó, aquele desconhecido e até mesmo o ser masculino afectivo de que vos falei - estarão naquela condição face a face com a verdade? Terá chegado o momento consciente de toda a verdade das vidas deles? Não tendo uma resposta, espero chegar a esse momento enquanto os meus órgãos não entraram em silêncio, num adormecimento que não respondem aos estímulos, aos sentidos… que não respondem ao outro ser que está diante deles.

Nunca estou preparada para me remeter ao silêncio, ao silêncio dos outros… poderemos ficar em silêncio não impondo aos outros o nosso? Tudo é uma aprendizagem, iniciamos quando reflectimos.



Este dia leva-me a repensar a nossa forma de vida, para nós próprios, para todos os outros seres com os quais nos cruzamos... e que se verdadeiramente respeitarmos e amarmos chegaremos a esse estado? Temos de evoluir, num processo lento? Será essa a razão do nosso ser... estou em vigia...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

GRÃO


Grão de areia
Grão frugal
Grão de cério
Corpo arredondado
Sabor a amêndoa

Os dias são preenchidos com sementes
Dos quais brotam raízes…
a Terra…, entro no seu interior
Surgimos na sua superfície
Pé sobre pé, escolhemos como caminhar


Ao longe admiramos grafismos
Traços, vazios, cores perpétuas
Para os olhos que ainda ficam…
Solta-se a poeira de todos os seres
Solidificamos, esquecemos partilhar.

Para onde caminhamos?
Quem caminha ao nosso lado?

Pequenas partículas cintilantes
Pequenos grãos de “ser”…

Rolam, formam, desejam
Florescem campos de batalhas
Derrama a chama… ressaltam texturas
Leves e ténues
Sopra… e tudo se transforma em poeira.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

a CORRENTE

[Imagem:Steven Prezant/Corbis < Texto e Design ERUPÇAO_DO_SER]


sexta-feira, 1 de maio de 2009

SILÊNCIO

Para o meu e teu silêncio,

entre o desejo escondido, mas sentido

entre nós os dois a barreira do nosso corpo

entre a saúdade e o vazio

entre um destino e o dia de ontem

entre o agora e os meus sinais

entre a distância e uma caminhada

entre amar e ser amado

entre nós ... escolheste os teus objectivos

entre tu e eu, simplesmente

só nós e este som...

porquê?

entre nós uma grande diferença... a minha humildade

entre nós as tuas palavras são indesejáveis

entre nós a tua verdade, é uma pluma ao vento

entre nós tu não existes, não pertences, aqui...

entre nós só tu, entre mim só nós

entre min, simplesmente eu

entre o teu sorriso uma mentira

entre o meu sorriso - a sinceridade

"entre"

é uma mulher

no balanço das minhas pernas

no meu olhar

!descobre-me!

domingo, 5 de abril de 2009

O meu [coração]

[imagem de Eric Sebbar]


O meu coração sente e arde por dentro
Explode para fora
Verte sorrisos sem mentiras
Embate no outro lado
Combate, velozmente, meigamente
Sem perguntar
Sem saber porque bate
Impulsos em cadência
Alteram todo o fluxo
Como vibra…
Em queda, em ascensão
Ascende em mim
A vibração energética

Com um simples toque…

O hábito do toque…
Sentido pela primeira vez, ainda, no útero
Durante o trabalho de parto as contracções do útero
"massajam-nos" em todo o processo do nascimento…
Através do toque sinto-me ainda mais…
Sinto-me nascer de novo

Ouço o meu coração
Ouve meu coração

Visão íntima
Num diálogo criativo
Procuro entender a batalha
As cores do infinito
Em perfeito silêncio
Misteriosas notas de uma partição

domingo, 22 de março de 2009

Criatividade no feminino



Evoluir como ser implica abdicar, enfrentar as tentações do corpo, diluir-se na sensatez do discernimento que muitas vezes não queremos ter, porque queremos o mais fácil, não valoramos o que nos obriga a activar outros valores; porque os outros também o não fazem?.
Porquê querer ser como os outros e não como um único ser: nós mesmos, como propriedade do corpo e mente, com registo e respeito na alma por todas as acções individuais e colectivas.


A Mulher elevada de ser, é para uns imcompreensível ou "complicada", para quem nunca a sentiu, descobriu ou encontrou, não Lêem, não sentem numa mulher a capacidade suprema de criar, de dar á luz a bondade… seguindo uma evolução no tempo, construindo-se assumindo-se como mãe, com sensualidade, com destreza, com subtileza, com mente para perdoar e, não abandonar e amar todos os seres, não somente os que do seu ventre aspiraram chegar à luz.


Porque só os poetas, os criadores de arte vêem a mulher como ela é…, será por alguém a ter adoptado de símbolo de atracção, ou será associado ao desejo da maioria dos homens?. Antes, porque encontram nela uma beleza para expressar a sua criação… porque tudo em torno do feminino eleva ternura, exotismo, harmonia, algo que, cada autor se apropria na sua obra… um traço embriagado de estímulo latente, vivo.


Todo o ser criador possui na sua alma uma sensibilidade diferente de qualquer outro ser...

domingo, 15 de março de 2009

O DESEJO Tertulia Virtual


aperta-me fortemente com os teus braços
quero sentir-te o desejo
admirar-te a inteligência
desejo falar contigo
fala comigo ao ouvido
desejo continuidade do momento
tu, não... descontinuidade, talvez...não sei
eu continuo na intensidade do desejo, do erotismo,
da paixão transbordante impossível de conter

sentimos o bailado das nossas pernas,
dos meus e teus braços,
dos nossos beijos,
fala-me de mil coisas,
apetece-me trincar-te,
o prazer de sermos desejados de modo contínuo,
com o nosso tacto, o teu odor... significam proximidade,
quero sentir-me assim,
as tuas mãos sobre a minha pele,
a mistura dos nossos seres,
o peso do teu corpo,
o entendimento do meus dedos sobre o teu corpo,
o furtivo desflorar... enquanto me dizes: quero sentir o teu sabor,
repete: quero sentir o teu sabor,
experimenta o arrepio do tecido leve sobre os meus bicos,
sentir o desejo,
anda e sente o desejo desnudado pela macia movimentação das minhas ancas,
tudo decorre ao longo de um registo contínuo...
os nossos sussurros... ai ai (teus)
sucedem-se ondas de sensações que nos transformam um no outro.

Este é o nosso desejo quando partilhamos a mesma experiência,
quando desejamos as mesmas coisas,
a mesma lua, o mesmo mar, o respirar o mesmo ar...
em tudo isto acredito sermos diferentes, sermos nós, eu e tu.

Teriamos ficado juntos lentamente abraçados
teriamos aspirado nosso perfume
não nos teriamos ido embora.
o meu desejo resiste e não desiste dessa ambição de
criar e apenas ser.


domingo, 8 de março de 2009

ÀS MULHERES

«saber que o corpo vive sobre pressão do seu peso, e do fardo que carregamos se torna uma luta constante com a gravidade, esta força que atrai para o centro da terra todos os corpos. É interessante notar que o que nos incomoda é invisível ao olho humano, só percebe quem o sente, às vezes se faz presente na pele flácida, no olhar vazio de quem se desesperançou de ser só mais um produto.»
[Marcelo Miranda]

UMA MULHER- I

[jan_1975]

A história de hoje é de UMA MULHER e trata sob a forma como ela se articula ao modo como se sente no mundo. Contar esta história aqui, é portanto também falar da forma como olha para o tema: MULHER. Trata-se da “relação incessante renovada entre o passado e presente”. Analisa-se em particular, analisa-se no espaço público onde entra o só o feminino, ficando o masculino para outro capítulo. A partir de um auto-retrato, de um itinerário onde ela é a personagem da sua própria construção de uma história de uma mulher. Neste contexto de efervescência no feminino é concebida em finais 1973 rodeada de factores sociais, políticos que antecederam o 25 de Abril em Lisboa (Portugal) – saída do momento de concepção - vem à luz uma mulher em 23 de Setembro de 1974, numa pequena vila junto ao mar. Este livro aberto, agora, revela a todo o tempo, com muita clareza, sem anonimato uma mulher não submetida a uma história de “mulheres”, onde falas, imagens e expressões artísticas são produzidas pelo sujeito “EU”, uma história no singular, uma produção onde o silêncio e invisibilidade, nunca a marcaram. Esta menina aos quatro meses em pose, a aparência de um corpo físico, de uma imagem de um corpo feminino, em nada igual ao que possui hoje. Nada mais histórico do que me olhar hoje e, outro olhar para esta imagem a preto e branco com apenas quatro meses de vida. Qual a capacidade criadora, sensitiva que fez ou faz dela o que é hoje?! Múltiplos deslocamentos no espaço e no tempo, a infância, adolescência, caminho casa escola, o namorado, um curso, uma profissão, um desejo, um sonho, vários “acontecimentos históricos” compreendem que a história desta mulher mudou. Nos seus objectivos, nos seus pontos de vista, no seu desejo de mostrar que a história mudou. Parte de uma história onde um corpo físico inicia uma viagem até ao agora onde vários papéis são desempenhados na vida privada até chegar ao espaço onde me movo uma pequena vila, várias culturas, uma imensidão humana, onde tudo se cria ao pequeno movimento, onde habita e simplesmente reflecte um ser. Será que esta mulher ganha “mais valor” hoje, após um longo caminho percorrido? Quando o movimento é então mais alargado …e porque a história não pode parar aqui, esta mulher vai… e contínua, enquanto aqui estamos, enquanto outros estiveram e já não estão… continua, sim. Assim comemoro… bem-vinda hoje e sempre.

[08/03/2009]

[set 2008]

quarta-feira, 4 de março de 2009

Criar amor



Lancemos a nossa capacidade de criação humana, no dia-a-dia, nas nossas acções, no bem-estar que podemos criar para os outros. Sintamo-nos em paz com nós próprios, não procuremos incessantemente “algo”: uma mulher, um sonho, um homem, perdemos o tempo, de olhar para dentro. Olhemos, então sim, com vontade de criar amor, criemos amor.
A boémia da noite; A boémia do prazer; pelo gozo físico não desperta “nada”, não fomos criados para fomentar vícios, mas sim, para melhorarmos o nosso progresso enquanto seres, enquanto construtores de um tempo, que de uma centelha, num determinado momento criador… surgimos então como seres.
Como veremos a luz de algo que nos faz sorrir do interior para o exterior, se desconhecemos a existência de nós mesmos enquanto seres.
Quero incondicionalmente criar com meu pensamento através deste lápis cinzento a expressão, do sentir que me fazem caminhar, na construção dos sentidos, frases, palavras livres, abertas, soltas, brotando do íntimo explodires para acordar quem as possam ler, e reler, entender, considerar que talvez tenham sido escritas para os que acabamos por lê-las.
Quero, sempre criar com o meu pensamento, como os pássaros cantam, como voam as gaivotas, vêm do mesmo ser, onde aqui nos encontramos com diferentes formas, esculpidos numa dimensão diferente, talhados com marcas, cores, expressões, rostos. A riqueza do acto de criação, reencontrar esse momento, é uma felicidade imensa, apetece-me sorrir, deslizar sobre esta folha de papel branca, tão branca como a leveza do meu sentir, neste fim de dia.
Adoro-me sentir… por isso vou continuar, quando a vontade permite o lápis avança com a força de desejar exprimir o que brota do meu interior. Sigo, sem saber qual vai ser o resultado final.


[28.02.2009 23:20]

Descubram, acompanhem um novo blog [Ery Roberto]

Infinito Positivo - Um novo blog Ery Roberto um novo recomeço, um novo ser... em descoberta.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Nas tuas costas II


Derramo o menino que existe em mim,
sobreponho vontades, ilusões sem confirmações,
saídas de um turbilhão,
ensaios por desvendar,

Nas tuas costas,
Derramo-me abraçado a ti
trespasso neste segundo tudo para dentro de ti,
tocar o teu calor, adulado e admirado,
sentir a tua sensatez, seres tu dentro de mim,
fera vil,
um livro de ir para longe, libelinha
recordações de infância, prazeres mundanos
asas cor de esmeralda, imaginar vermelho paixão e rosal,
âmbares, safiras… provocantes e perigosas cobrem tuas costas.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Deixa-me ouvir o que não ouço

"Deixa me ouvir o que não ouço...
Não é a brisa ou o arvoredo;
É outra coisa intercalada...
É qualquer coisa que não posso
Ouvir senão em segredo,
E que talvez não seja nada...

Deixa me ouvir... Não fales alto!
Um momento... Depois o amor,
Se quiseres...Agora cala!
Ténue, longínquo sobressalto
Que substitui a dor,
Que inquieta e embala...

O quê? Só a brisa entre a folhagem?
Talvez... Só um canto pressentido?
Não sei, mas custa amar depois...
Sim, torna em mim, e a paisagem
E a verdadeira brisa, ruído...
Vejo te, somos dois..."
[Fernando Pessoa]

Hoje sinto-me pessoa como Fernando Pessoa descreve em sua poesia, mas não encontro uma só poesia para descrever-vos como me sinto HOJE. Estão quase a ser 12:30 da noite dentro, vou assistir às "Noite da 2"... cinema e companhia à minha altura com um bocadinho de constipação... "O Amante"/L'amant/The Lover (1992)... para nós.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

a Mulher [Graça Morais]



Imagem > www.gracamorais.blogspot.com

Desenhos de rostos,
Do interior da terra escondida
Marcam a intensidade humana,
A dureza nas suas mãos,
Vergadas ao sol
Tendem a desaparecer,
Todas Marias, elevam o traço no desenho

Mulheres efémeras,
Em desaparecimento
Ignoramos o seu olhar

Representam a mulher desaparecida no séc. XXI
Com entrada para a arte
Entre gritos, cores, símbolos
Sobreposições de posturas,
Sobreposições de desenhos
Sentires, pulsares
Explodem na tela em confronto árduo entre actor e autor, ser mulher, mãe, avó (...)
Uma família, um campo duas estações
Palavras não ditam: Silêncios
Terra quente no fim do milénio,
Para onde vão estes rostos,
Quando desaparecer
Esta mulher…

[Centro de Arte Contemporânea Graça Morais-bragança entre rostos e espaço arquitectónico, com tónica em cheio/vazio, de interior/exterior, as vistas, a luz, a dinâmica dos espaços]

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O TEMpo - Tertúlia Vitual

Caír no tempo...

Os resíduos marcam o compasso de espera, necessário à assimilação total da experiência. Nessa espera, é possível que o Ser repita a experiência para poder absorvê-la com a devida segurança.Então se dará o aparente salto qualitativo, que na verdade representa uma transição lenta. O exemplo do relógio esclarece melhor este problema: quando as pancadas de uma determinada hora soam no relógio, surpreendendo-nos, isso acontece porque os ponteiros já fizeram o percurso de 60 minutos para bater a hora surpreendente…
Cair no tempo é sair da espera e entrar na temporalidade para realizar-se a si mesmo.
A sexualidade é a condição que deve concretizar no tempo histórico o poder criador do homem e da mulher, na conjugação efectiva dos elementos biológicos, sob a regência do Amor. O sexo é o instrumento dessa realização genética que exige do casal humano a doação total dos poderes espirituais e corporais nele concentrados, no acto da criação.
Como me parece mesquinha a concepção vulgar do sexo como mecanismo animal de natureza inferior! A mecânica sexual do gozo pelo gozo é um aviltamento da função genésica, cuja finalidade última é a encarnação do Ser, primeiro passo da ontogênese terrena.
Nos “casais” evoluídos o acto sexual não se reduz ao prazer sensorial. Este é apenas a chispa do fogo vital que desencadeia todo o processo da criação humana. A mulher acolhe o homem em seu corpo e em sua alma sem a inútil agitação animalesca, e o homem a envolve no seu poder fecundante com a naturalidade e o êxtase do Sol a envolver a Terra para fecundá-la. Só a mesquinhez do vulgo, do vulgar homem incapaz de compreender a grandeza de um acto criador poderia ter feito, disso, motivo de escândalo, malícia e pecado, acrescentando, a vulgaridade com que algumas mulheres o “fazem”…

Aqui, assume-se a expressão íntima do tempo, conjugado com outros seres, esculpido em momentos, pensamentos, sentires ...numa longa caminhada onde o tempo permanece no meu interior.
[post publicado em 20 Dezembro de 2008]

domingo, 8 de fevereiro de 2009

obra SÓ de interrogações... mais uma CADEIRA



«O vazio deixado em aberto, por preencher, os corpos sem rosto, a própria abstração de imagens. Trabalha todo o processo de interromper, evitando o retrato e qualquer espécie de referências directas.» in bombart revista 01, p.10


O que me provoca: a forma como vive o feminino, completo descarnado, agarrado às imagens, POSES sem posar, mas invocar, entre pés, cadeiras, mesas, actos de amor, parcelas de corpos, procurando pistas... em todos os suportes encontramos JULIÃO SARMENTO sem interrupções: Flashback (2000) Excerto I, fascina-me: às vezes queria poder morrer de prazer.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

UMA CADEIRA COM BRAÇOS À JANELA

foto>Bob Sancha/Corbis

Vertentes, rodopiam, entre vestes azuis, como de ninguém, são palpitações assombradas, prelúdios escandalosos numa noite fria. Afagam a vetusta mulher ali sentada à janela, sem ninguém para olhar, passam ovelhas brancas e pretas sem reivindicar sua corrida diária, entre os mesmos muros, pisando o mesmo chão, atitudes, ali plantadas de nada servem senão, reféns de um dia estremecido num espaço vazio.
Quadrados nunca se tornaram triângulos.
Mentiras através de um compasso, latas vazias, outras por abrir, desejos anónimos confrontam seus fiéis – depositantes – em tanto pendor. Ingredientes para a mudança, surgem, numa nova curta metragem de dez minutos, ou serão, doze minutos… no intervalo surgirão novas personagens, com nobres objectos, novos adornos periféricos que fazem pensar que existe mais “alguém” para além da imagem ficcionada, reflectida no espelho durante as filmagens. Atrás da mulher sentada à janela contínua ao seu lado a velha cadeira de braços, vazia de palavras, cansada de viver e não poder deixar de ser essa cadeira que todos vêem, mas não se sentam.
Num olhar atento – desabotoo o meu botão acima do umbigo e continuo a olhar a paisagem da minha janela surreal.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

João AGUARDELA

in Blitz

«os dias sem ti/ são todos iguais/ são dias sem brilho/ são dias a mais»
Segue a luz, atravessa o som...o espírito continua...

sábado, 24 de janeiro de 2009

nas tuas costas


NAS TUAS COSTAS
Envergo meu lápis branco
Envergo o meu lápis amarelo
Sobre tuas costas
Entre o desfiladeiro dos dias
As horas vãs
Tornam-se redutos de eterna beleza
Desespero pelo desejo corpóreo
De as tocar
Desespero pelo medo
De corromper-me sobre elas

Encerram segredos eruptivos
Aproximo meu olhar
Meus lápis prosseguem
Ainda não encontraram a forma ideal
De passar a mensagem
De tão sublime sensação
De transcrever seu toque
Entre a tinta branca amarela
Lanço sussurros antigos
Sussurros de ontem,
Sussurros para amanhã
Nunca estão sós

Cobertas de mãos, envergando suas vestes, sentindo a água
Soltam-se túlipas amarelas, plantadas sem vaidade, pela sua mão
e, antúrios brancos por ser um ser sem orgulho
seus ombros luzem o veludo de sua pele
seus sinais marcam a sua identidade,
há todo um espaço íntimo
que todos desconhecem, mas muito de nós, desejamos percorre-lo,
um… será o eleito, durante uma viagem, albergando em si um anjo branco amarelo
voluntário do amor, transparente no sentir.

Um dia em Janeiro…

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

mãos com títulos imunes....






















Pureza nas Mãos e os Frutos
entre Os amantes sem dinheiro
nAs palavras interditas,
Até amanhã...
Coração do dia,

no Mar de Setembro, entre o
Ostinato rigore,
o Obscuro domínio
a Véspera de água,

a simples Escrita da Terra
no Limiar dos pássaros
na Matéria solar
nas Vertentes do olhar.

O outro nome da Terra
Rente ao dizer: Ser dá trabalho
Ofício de Paciência, numa Antologia Breve,
O Sal da Língua,

na Sombra da Memória entre os títulos da "obra" de Eugénio de Andrade

o admirável tempo,

que fica, perdura, imune... a um ser.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Fernando Guerra... Fantástica!

«A revista canadiana Azure convidou 44 fotógrafos de todo o mundo com quem trabalha regularmente, para contribuírem com imagens para o calendário impresso de 2009.Fernando Guerra foi um dos escolhidos e a imagem usada acompanha o mês de Abril. A fotografia foi feita em Lisboa, numa reportagem para o atelier de Design R2 que efectuou a intervenção tipográfica na fachada da Ermida de Nossa Senhora da Conceição presente entre 19 de Setembro e Fevereiro do próximo ano. Esta ermida foi construída em 1707 e situa-se na Travessa Marta Pinto, em Belém. Clique para ver calendário e revista Azure. Brevemente todas as imagens deste projecto no ultimasreportagens.»

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

acordar contigo

Acordo no sétimo andar
e olho a cidade, ainda adormecida
lá longe o mar
e vejo o que tu vês todos os dias...

ao acordar
vejo o que tu vês, neste instante
que bom acordar junto a ti
neste momento tudo podemos ver
acreditar, concordar, que estamos aqui,
e o tempo nao foi perdido, simplesmente vivido
o que vêem teus olhos?

eu vejo-te em mim,
o tempo agora é o que menos queremos contar,
quero contar pelos meus dedos as boas sensações,
percorro o quarto, coloco uma camisa tua...
coloco Zero Seven: in the waiting line
e não nos desprendemos,
somos levados pelo som, pela voz
pelos nossos sons e nossas vozes...
e tudo recomeça...

?Do you believe in what you see?
I believe you...
vivamos o momento...
amanhã ouvimos Nouvelle Vague,
segue-se Massive Attack: Angel
meu anjo


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Manolo VALDÉS



Deambulando pelo espaço público ao nosso lado, as faces femininas acompanhadas por odaliscas, as "meninas" de MANOLO VALDÉS [escultor valenciano] (estiveram até 11 Dezembro2008) na Plaza Mayor em Salamanca, inflaciona o valor do tamanho, minimizando o detalhe, surpreendem a todos os forasteiros que por ali passam com desejo de voltar.

Foi assim que a encontrei: um pleno Museu ao ar livre...

Falando em voltar... falta pouco... gostaria de encontrar desta vez, quem sabe... as de Juan Muñoz...






quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

GRIFO PLANANTE

Hoje, aqui neste pequinino espaço quero partilhar, aquele que das coisas pequenas tudo é primor, transforma os pequenos pormenores saídos do espaço urbano, das luzes artísticas, da vida doméstica e, nos dá vida quando entramos no seu blogue... e somos convidados a entrar no espaço no qual se movimenta. Vinha, na minha viagem de longos kilometros, pensando tenho de ir a tempo de colocar um post entitulado GRIFO PLANANTE no dia do fotografo, não porque ele ficasse em branco, mas porque, quero apresentá-lo a quem ainda não conhece.

"Verdadeiro cenário da experiência do sentir", este verdadeiro ser JOÃO MENERES...

Ser fotografo, ser poeta, ser homem é ser mais alto,
é ser maior Do que os homens!
Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
[adaptado de Florbela Espanca]

a copula, sentindo-me



Estamos lado a lado, corpo com corpo, a respiração atravessa o pranto da escuridão…
Avançamos um para o outro, sem palavras, com som íntimo, emoção sincera… aguardando o toque sublime dos meus dedos na tua face, entre os teus lábios e o meus, intensamente… mergulhamos nesta aventura… sentindo-nos, deslizando nossos pensamentos mais loucos, entre loucura, amor, qual o sentido… deste apocalipse… brutal…

Não importa agora…

Continuamos, tento parar as sensações, interrompê-las… para cada vez mais, te desejar, passar a minha língua (…) dos teus lábios, para o pescoço, adensando o teu pavilhão auricular, percorrendo o labirinto de sons insuflados de excitação sublime, que se intensifica ao sentir tua boca… como desejo senti-la por todo o meu corpo, todo o meu ser … deixa-la chegar até à alma.

Quero vibrar, sufocar, contemplar os teus olhos enquanto escorregamos um no outro … viro-me de costas quero sentir-me ser tocada inversamente… as minhas nádegas dançam com o balanço em que nos desejamos… és uma delícia…

Não quero parar… tocas-me com a tua língua, encontro-me num trama sensorial… tudo mexe muito.

Tocamo-nos, o corpo sente a todo o tempo, permanece… quero desaparecer nesse momento e sermos levados para esse momento afrodisíaco, mas real… quase imortal… embora o prazer de te tocar não é ainda o prazer de conhecer o que toco… mas, e apenas ainda, sentirmos o nosso corpo que, não para de sentir…

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Uma MaLa


Vou sozinha
Uma mala
um sorriso, que ainda permanece em mim,
sujeita aos desejos dos outros.

meu fraco viver é sorrir
e carregar esta mala
que pouco ou nada leva no seu interior,
senão memórias das passagens em locais,
de uma só vez, onde nada se repete,
a não ser o meu fraco viver
de satisfazer
a prostituta democracia
que passa por toda a imensidão de bocas
em descalabro,
matou meus sentimentos
esvaziou meu sangue,
resta-me este corpo para quem
troca por um valor democrático de papel,
menos humano, tão odioso.

deixei meu ser congelado
no momento de indecisão…
quando tudo estava decidido
em meu corpo,
lamento o meu errado passo,
só as entranhas restam…
Como será uma gota de sentimento?
daqui por umas horas tudo se repete.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

pisavamos papéis

Pisávamos papéis
Soltavam-se palavras
Elas entravam e saíam

Pisávamos papéis
desabavam entre elas
portas abertas
nem uma gota de ar
explodiam lá dentro …
e nós aqui…
pisávamos papéis

Portas batem, saem mais duas
entram em grupo
não levam roupa
saem mudas
as frases continuam
descompostas
sem sentido
ninguém se atreve
pisamos papéis
atrevemo-nos
lançamos actos de guerra
entre o preto mais branco
o etéreo perpétua
o veicular do som,
desbravamos novos caminhos
por entre dentes
soltando ouvidos
gritos e gemidos, angústias …
pálidas sem rosto
eles não sabem utilizar os papéis,
batem tão forte
batem nelas
imundos,
muros corruptos
entre ruas com janelas sem flor
para onde vão todos?

não quero pisar papéis
quero sair pelo ar
passear de boca em boca
viajar no pensamento
descer até ao coração
sair… explodindo
nos gestos, nos olhares,
nas gargalhadas
com o orvalho, com o sol
bater sílabas entre lábios molhados… sorrir
alongar os rostos
percorrendo as maçãs do teu belo rosto
quando noite, acendemos um candeeiro oval
pousado entre nós, sem papéis
o discurso tomou o lugar dos papéis brancos amarrotados,
sem valor, papéis furados pelo tempo, pela falta de…
uma mão que preencha o branco pálido e lhes dê cor
com efeito do cansaço
por falta de ternura


[atravesso o vidro através do som]

Algo excêntrico, alucinador «The official video for Hard Times, taken from the album 'The Bachelor' - released in June 2009. Directed by Ace Norton.»