Caír no tempo...Os resíduos marcam o compasso de espera, necessário à assimilação total da experiência. Nessa espera, é possível que o Ser repita a experiência para poder absorvê-la com a devida segurança.Então se dará o aparente salto qualitativo, que na verdade representa uma transição lenta. O exemplo do relógio esclarece melhor este problema: quando as pancadas de uma determinada hora soam no relógio, surpreendendo-nos, isso acontece porque os ponteiros já fizeram o percurso de 60 minutos para bater a hora surpreendente…
Cair no tempo é sair da espera e entrar na temporalidade para realizar-se a si mesmo.
A sexualidade é a condição que deve concretizar no tempo histórico o poder criador do homem e da mulher, na conjugação efectiva dos elementos biológicos, sob a regência do Amor. O sexo é o instrumento dessa realização genética que exige do casal humano a doação total dos poderes espirituais e corporais nele concentrados, no acto da criação.
Como me parece mesquinha a concepção vulgar do sexo como mecanismo animal de natureza inferior! A mecânica sexual do gozo pelo gozo é um aviltamento da função genésica, cuja finalidade última é a encarnação do Ser, primeiro passo da ontogênese terrena.
Nos “casais” evoluídos o acto sexual não se reduz ao prazer sensorial. Este é apenas a chispa do fogo vital que desencadeia todo o processo da criação humana. A mulher acolhe o homem em seu corpo e em sua alma sem a inútil agitação animalesca, e o homem a envolve no seu poder fecundante com a naturalidade e o êxtase do Sol a envolver a Terra para fecundá-la. Só a mesquinhez do vulgo, do vulgar homem incapaz de compreender a grandeza de um acto criador poderia ter feito, disso, motivo de escândalo, malícia e pecado, acrescentando, a vulgaridade com que algumas mulheres o “fazem”…
Aqui, assume-se a expressão íntima do tempo, conjugado com outros seres, esculpido em momentos, pensamentos, sentires ...numa longa caminhada onde o tempo permanece no meu interior.
[post publicado em 20 Dezembro de 2008]