
NAS TUAS COSTAS
Envergo meu lápis branco
Envergo o meu lápis amarelo
Sobre tuas costas
Entre o desfiladeiro dos dias
As horas vãs
Tornam-se redutos de eterna beleza
Desespero pelo desejo corpóreo
De as tocar
Desespero pelo medo
De corromper-me sobre elas
Encerram segredos eruptivos
Aproximo meu olhar
Meus lápis prosseguem
Ainda não encontraram a forma ideal
De passar a mensagem
De tão sublime sensação
De transcrever seu toque
Entre a tinta branca amarela
Lanço sussurros antigos
Sussurros de ontem,
Sussurros para amanhã
Nunca estão sós
Cobertas de mãos, envergando suas vestes, sentindo a água
Soltam-se túlipas amarelas, plantadas sem vaidade, pela sua mão
e, antúrios brancos por ser um ser sem orgulho
seus ombros luzem o veludo de sua pele
seus sinais marcam a sua identidade,
há todo um espaço íntimo
que todos desconhecem, mas muito de nós, desejamos percorre-lo,
um… será o eleito, durante uma viagem, albergando em si um anjo branco amarelo
voluntário do amor, transparente no sentir.
Um dia em Janeiro…