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sexta-feira, 29 de maio de 2009

As seis cordas

As seis cordas
Uma viola que embala
E apaga o ontem
Surge um registo novo: o agora

Abraçado a ti
Nascem momentos de paz, de ira… de amizade íntima, de harmonia
Transportamo-nos para o espaço
Não é um namoro,
Mas sim fruto de um diálogo entre tu e eu…

As palavras não surgem
Mas a comunicação continua
Surge um grande afecto
Entre os meus dedos, o nosso toque
Respondes ao som dos meus dedos
Movimento perpétuo
Raiz do nosso ser
Entre as seis cordas
Quantos segredos
Quantos mistérios
Transformados em Sol

Uma valsa
Ao fundo o rio sobre a noite
Nós os dois entre fantasias, baladas
Em memória dos sentimentos passados
De um romance,
Um amor inacabado,
Um desejo nunca conseguido,
Um grito que teima em não sair…
Uma vontade de fugir
Um sentimento inútil
Um ser incapaz
Enquanto tudo isto devolves-me o sentir
Quando atingimos o êxtase durante trinta segundos…
O teu nome soa entre o som: a minha viola

Quebra-se o som, ferem-se os sentidos
As seis cordas arrebentam o meu interior
Porque o ego da luxúria se apoderou de ti
Pelo S. fraco de uma violação desenfreada pelo vazio
Pela precocidade vil numa tentativa estéril
De um mero encontro de prazer banal

Dizes “ironia do destino”
Acredito antes, escolher o animal incapaz que está dentro de ti

As seis cordas adormeceram
Porque não sei as notas que me ensinaste
Porque não me deste hipótese de aprender a tocá-las.
[27.05.2009]

terça-feira, 26 de maio de 2009

O SILÊNCIO II


Reconheço a minha dificuldade por vezes em lidar com o silêncio que vem dos outros, então para ultrapassar e dizer o que me vai na alma, passarei a descrever o meu dia de ontem, preenchido com alguns momentos de silêncio em circunstâncias diferentes, procurando entender-me e entender os outros.

O dia de ontem, segunda-feira, inicia-se com uma viagem a Trás-os-Montes (Chaves) percorrida por Ourense-Verín, com o objectivo levar o meu pai a visitar seu pai e, visitar meu avô, hospitalizado. Após a burocracia do Hospital para visitarmos o nosso familiar, vimo-nos obrigados a entrar pela porta do cavalo. Finalmente chegamos ansiosos ao Piso 5, Medicina 2 ENF. 2 Cama 6. (O seu quadro clínico com noventa e dois anos é flutuante entre uma pneumonia grave e a extracção recente de um carcinoma no nariz que ultrapassou a pele.).


Não é fácil estabelecer o encontro com alguém que nos segurou a mão, trabalhou horas a fio os campos com as mesmas mãos e, agora todos os seus órgãos se remeteram ao silêncio, em que o que ressalta é o esforço em respirar pela boca e o barulho das máquinas. Estacada bem à sua frente ele não me vê, não me ouve, será que não me sente? É um estado em que somos obrigados a remetermo-nos ao seu silêncio e às memórias de outros momentos. Senti-me inútil pois o meu desejo em confortá-lo como o fizera outrora, tinha mudado. Agora, mantive-me conversando com ele em que as palavras surgiam mentalmente mas não chegavam à boca, pretendia que o seu coração ouvisse e já não os seus ouvidos. Este traduzia o primeiro momento em que me encontro com o silêncio, mas este teimava não ser o único.

Ao seu lado na cama 5 um Homem, com alguma idade, cabelo e barba completamente branco, sobre uma pele bem morena, com marcas de queimaduras antigas, ressaltavam os seus olhos azuis ternurentos. “Magro como as palhas”, estatura bem alta em que a magreza ressaltava todos os ossos e todos os movimentos internos do seu corpo, como se a sua pele fosse transparente. Era um ser desconhecido que me olhava e que provavelmente me queria dizer algo, mas na linguagem onde o silêncio do momento é avassalador… aproximei-me. Reparei que queria puxar o leve lençol. Tinha os braços presos à cama e estava ligado ao soro. À medida que me aproximo ele fala comigo e diz-me baixinho, pois poucas eram suas forças: «Nunca fiz mal a uma mosca», repetidamente, eu escutava novamente. Não tive palavras, olhei-o dentro dos seus olhos redondos azulados e acariciei o seu rosto. Ali estávamos nós os dois dando algum calor aquele silêncio do momento. Repeti este gesto, enquanto me dizia ter perdido a mulher e que se conseguisse fugir dali nunca mais voltaria. Mantive-me ainda mais algum tempo cobri-o, e ele esforçava-se por fechar os seus olhos, mas em poucos segundos os voltava abrir. Continuei tocando o seu braço e o seu peito para que sentisse que ainda ali estava. Mas não pude permanecer o tempo que desejávamos, chegou o lanche e tive de abandoná-lo naquele silêncio.

Aquele silêncio é extremamente “pesado” pois estou diante de homens fortes, que se debatem entre resistir ao fio da vida, e querer sair dali, para onde… não sei. Talvez voltar para a vida que tiveram, ou talvez algum arrependimento… que só chega quando se encontram ali sozinhos em silêncio, despidos de coragem, de arrogância, de grandes actos… resta-lhes a pele e osso.

As horas continuavam a marcar o tempo e o silêncio, o dia ainda continuava e mais tarde após este dia um último momento de silêncio. Este estabelece-se com outro ser masculino com quem venho ou vimos a travar algum conhecimento afectivo e que desde domingo passado, entre telefonemas e mensagens, surge como resposta: o seu silêncio. Silêncio este sem um porquê? Mas que me obriga a ficar em silêncio com poucas forças após um dia repleto de emoções. Como entender, que duas pessoas na flor da vida se remetam a este silêncio, quando um dia serêmos tomados pelo silêncio sem termos optado. Ou será que a condução das nossas vidas limita a forma desse silêncio?

Antes de adormecer, peguei no meu fiel amigo Mohandas K. GANDHI: a minha vida e as minhas experiências com a verdade. Procuro juntamente com ele o entendimento da sua vida e que este me possa levar ao entendimento da minha. Digamos que estabeleço sempre que posso um diálogo profundo entre cada passo dado, os que dei hoje e preparar-me para os ainda não chegaram.
No livro (a parte que acompanho actualmente) GANDHI conta a sua vida no momento que vai estudar para Inglaterra em vários episódios que marcam a sua experiência. Um desses momentos intitulado 18. a timidez é o meu escudo, (página 73) fala sobre o silêncio e diz-nos o seguinte: «a experiência ensina que o silêncio faz parte da disciplina espiritual daquele que busca a verdade. A tendência para o exagero, para suprimir ou adulterar a verdade, consciente ou inconscientemente, é uma fraqueza do homem, e o silêncio é necessário para que se possa superar estes momentos.»
Reflectindo sobre as palavras de GANDHI, transportadas para os momentos vividos em silêncio de ontem - poderemos dizer que o meu avó, aquele desconhecido e até mesmo o ser masculino afectivo de que vos falei - estarão naquela condição face a face com a verdade? Terá chegado o momento consciente de toda a verdade das vidas deles? Não tendo uma resposta, espero chegar a esse momento enquanto os meus órgãos não entraram em silêncio, num adormecimento que não respondem aos estímulos, aos sentidos… que não respondem ao outro ser que está diante deles.

Nunca estou preparada para me remeter ao silêncio, ao silêncio dos outros… poderemos ficar em silêncio não impondo aos outros o nosso? Tudo é uma aprendizagem, iniciamos quando reflectimos.



Este dia leva-me a repensar a nossa forma de vida, para nós próprios, para todos os outros seres com os quais nos cruzamos... e que se verdadeiramente respeitarmos e amarmos chegaremos a esse estado? Temos de evoluir, num processo lento? Será essa a razão do nosso ser... estou em vigia...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

GRÃO


Grão de areia
Grão frugal
Grão de cério
Corpo arredondado
Sabor a amêndoa

Os dias são preenchidos com sementes
Dos quais brotam raízes…
a Terra…, entro no seu interior
Surgimos na sua superfície
Pé sobre pé, escolhemos como caminhar


Ao longe admiramos grafismos
Traços, vazios, cores perpétuas
Para os olhos que ainda ficam…
Solta-se a poeira de todos os seres
Solidificamos, esquecemos partilhar.

Para onde caminhamos?
Quem caminha ao nosso lado?

Pequenas partículas cintilantes
Pequenos grãos de “ser”…

Rolam, formam, desejam
Florescem campos de batalhas
Derrama a chama… ressaltam texturas
Leves e ténues
Sopra… e tudo se transforma em poeira.

domingo, 5 de abril de 2009

O meu [coração]

[imagem de Eric Sebbar]


O meu coração sente e arde por dentro
Explode para fora
Verte sorrisos sem mentiras
Embate no outro lado
Combate, velozmente, meigamente
Sem perguntar
Sem saber porque bate
Impulsos em cadência
Alteram todo o fluxo
Como vibra…
Em queda, em ascensão
Ascende em mim
A vibração energética

Com um simples toque…

O hábito do toque…
Sentido pela primeira vez, ainda, no útero
Durante o trabalho de parto as contracções do útero
"massajam-nos" em todo o processo do nascimento…
Através do toque sinto-me ainda mais…
Sinto-me nascer de novo

Ouço o meu coração
Ouve meu coração

Visão íntima
Num diálogo criativo
Procuro entender a batalha
As cores do infinito
Em perfeito silêncio
Misteriosas notas de uma partição

quarta-feira, 4 de março de 2009

Criar amor



Lancemos a nossa capacidade de criação humana, no dia-a-dia, nas nossas acções, no bem-estar que podemos criar para os outros. Sintamo-nos em paz com nós próprios, não procuremos incessantemente “algo”: uma mulher, um sonho, um homem, perdemos o tempo, de olhar para dentro. Olhemos, então sim, com vontade de criar amor, criemos amor.
A boémia da noite; A boémia do prazer; pelo gozo físico não desperta “nada”, não fomos criados para fomentar vícios, mas sim, para melhorarmos o nosso progresso enquanto seres, enquanto construtores de um tempo, que de uma centelha, num determinado momento criador… surgimos então como seres.
Como veremos a luz de algo que nos faz sorrir do interior para o exterior, se desconhecemos a existência de nós mesmos enquanto seres.
Quero incondicionalmente criar com meu pensamento através deste lápis cinzento a expressão, do sentir que me fazem caminhar, na construção dos sentidos, frases, palavras livres, abertas, soltas, brotando do íntimo explodires para acordar quem as possam ler, e reler, entender, considerar que talvez tenham sido escritas para os que acabamos por lê-las.
Quero, sempre criar com o meu pensamento, como os pássaros cantam, como voam as gaivotas, vêm do mesmo ser, onde aqui nos encontramos com diferentes formas, esculpidos numa dimensão diferente, talhados com marcas, cores, expressões, rostos. A riqueza do acto de criação, reencontrar esse momento, é uma felicidade imensa, apetece-me sorrir, deslizar sobre esta folha de papel branca, tão branca como a leveza do meu sentir, neste fim de dia.
Adoro-me sentir… por isso vou continuar, quando a vontade permite o lápis avança com a força de desejar exprimir o que brota do meu interior. Sigo, sem saber qual vai ser o resultado final.


[28.02.2009 23:20]

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Nas tuas costas II


Derramo o menino que existe em mim,
sobreponho vontades, ilusões sem confirmações,
saídas de um turbilhão,
ensaios por desvendar,

Nas tuas costas,
Derramo-me abraçado a ti
trespasso neste segundo tudo para dentro de ti,
tocar o teu calor, adulado e admirado,
sentir a tua sensatez, seres tu dentro de mim,
fera vil,
um livro de ir para longe, libelinha
recordações de infância, prazeres mundanos
asas cor de esmeralda, imaginar vermelho paixão e rosal,
âmbares, safiras… provocantes e perigosas cobrem tuas costas.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

UMA CADEIRA COM BRAÇOS À JANELA

foto>Bob Sancha/Corbis

Vertentes, rodopiam, entre vestes azuis, como de ninguém, são palpitações assombradas, prelúdios escandalosos numa noite fria. Afagam a vetusta mulher ali sentada à janela, sem ninguém para olhar, passam ovelhas brancas e pretas sem reivindicar sua corrida diária, entre os mesmos muros, pisando o mesmo chão, atitudes, ali plantadas de nada servem senão, reféns de um dia estremecido num espaço vazio.
Quadrados nunca se tornaram triângulos.
Mentiras através de um compasso, latas vazias, outras por abrir, desejos anónimos confrontam seus fiéis – depositantes – em tanto pendor. Ingredientes para a mudança, surgem, numa nova curta metragem de dez minutos, ou serão, doze minutos… no intervalo surgirão novas personagens, com nobres objectos, novos adornos periféricos que fazem pensar que existe mais “alguém” para além da imagem ficcionada, reflectida no espelho durante as filmagens. Atrás da mulher sentada à janela contínua ao seu lado a velha cadeira de braços, vazia de palavras, cansada de viver e não poder deixar de ser essa cadeira que todos vêem, mas não se sentam.
Num olhar atento – desabotoo o meu botão acima do umbigo e continuo a olhar a paisagem da minha janela surreal.

sábado, 24 de janeiro de 2009

nas tuas costas


NAS TUAS COSTAS
Envergo meu lápis branco
Envergo o meu lápis amarelo
Sobre tuas costas
Entre o desfiladeiro dos dias
As horas vãs
Tornam-se redutos de eterna beleza
Desespero pelo desejo corpóreo
De as tocar
Desespero pelo medo
De corromper-me sobre elas

Encerram segredos eruptivos
Aproximo meu olhar
Meus lápis prosseguem
Ainda não encontraram a forma ideal
De passar a mensagem
De tão sublime sensação
De transcrever seu toque
Entre a tinta branca amarela
Lanço sussurros antigos
Sussurros de ontem,
Sussurros para amanhã
Nunca estão sós

Cobertas de mãos, envergando suas vestes, sentindo a água
Soltam-se túlipas amarelas, plantadas sem vaidade, pela sua mão
e, antúrios brancos por ser um ser sem orgulho
seus ombros luzem o veludo de sua pele
seus sinais marcam a sua identidade,
há todo um espaço íntimo
que todos desconhecem, mas muito de nós, desejamos percorre-lo,
um… será o eleito, durante uma viagem, albergando em si um anjo branco amarelo
voluntário do amor, transparente no sentir.

Um dia em Janeiro…

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

a copula, sentindo-me



Estamos lado a lado, corpo com corpo, a respiração atravessa o pranto da escuridão…
Avançamos um para o outro, sem palavras, com som íntimo, emoção sincera… aguardando o toque sublime dos meus dedos na tua face, entre os teus lábios e o meus, intensamente… mergulhamos nesta aventura… sentindo-nos, deslizando nossos pensamentos mais loucos, entre loucura, amor, qual o sentido… deste apocalipse… brutal…

Não importa agora…

Continuamos, tento parar as sensações, interrompê-las… para cada vez mais, te desejar, passar a minha língua (…) dos teus lábios, para o pescoço, adensando o teu pavilhão auricular, percorrendo o labirinto de sons insuflados de excitação sublime, que se intensifica ao sentir tua boca… como desejo senti-la por todo o meu corpo, todo o meu ser … deixa-la chegar até à alma.

Quero vibrar, sufocar, contemplar os teus olhos enquanto escorregamos um no outro … viro-me de costas quero sentir-me ser tocada inversamente… as minhas nádegas dançam com o balanço em que nos desejamos… és uma delícia…

Não quero parar… tocas-me com a tua língua, encontro-me num trama sensorial… tudo mexe muito.

Tocamo-nos, o corpo sente a todo o tempo, permanece… quero desaparecer nesse momento e sermos levados para esse momento afrodisíaco, mas real… quase imortal… embora o prazer de te tocar não é ainda o prazer de conhecer o que toco… mas, e apenas ainda, sentirmos o nosso corpo que, não para de sentir…

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Uma MaLa


Vou sozinha
Uma mala
um sorriso, que ainda permanece em mim,
sujeita aos desejos dos outros.

meu fraco viver é sorrir
e carregar esta mala
que pouco ou nada leva no seu interior,
senão memórias das passagens em locais,
de uma só vez, onde nada se repete,
a não ser o meu fraco viver
de satisfazer
a prostituta democracia
que passa por toda a imensidão de bocas
em descalabro,
matou meus sentimentos
esvaziou meu sangue,
resta-me este corpo para quem
troca por um valor democrático de papel,
menos humano, tão odioso.

deixei meu ser congelado
no momento de indecisão…
quando tudo estava decidido
em meu corpo,
lamento o meu errado passo,
só as entranhas restam…
Como será uma gota de sentimento?
daqui por umas horas tudo se repete.

domingo, 28 de dezembro de 2008

bailarina do ser


percorro as ruas do sentir
estão desertas
porquê percorrê-las
se estão vazias...!!!
vazia(s) de ser

o vento tem asas, asas que trazem e levam,
e continuo…
à espera que o vento faça sentir a brisa em mim
perco-me agora num palco,
sinto a musica que me acompanha,
perco-me nela…
e já vou…
tenho uma bailarina dentro de mim,
que me leva e eleva na dança,
ao nascer do sol,
dançamos juntas,

outrora, éramos três,
lembras-te…
eu pensei ter-me esquecido,
mas o tempo não apaga memórias,
devolve-as ao coração,
o momento do acto com entrega…
quando voltaremos a estar juntos,
teremos outra hipótese, outro momento…

quero dançar contigo,
sentar-me no teu colo,
dar nossas gargalhadas
sermos, nós
continuo a dançar no balanço do silêncio,
conduzida pelo meu ser,
que tanto tem para explodir de amor, de saudade,
raiva de não te sentir,
estás tão perto e longe,
volta, de volta para nós…
rasga, rasgamo-nos um para o outro,
coloco a minhas “sabrinas”,
o palco nos espera,
para podermos,
numa dança contemporânea,
balançar nosso corpo,
flutuar no sentir,
encarnarmos num novo bailado,
encarnar as personagens do passado,
com a maturidade dada pelos ensaios do nosso viver,
desafios fora do palco, desafio ainda maior, neste palco
atrevo-me sempre…
por isso, ainda estou aqui
e, espero “algo” [não espero-te] envolvente, tocante
não fragmentado no momento, no tempo,
com continuidade e energia, vitalidade,
perdurar no tempo, ainda a questão do «tempo»,
eu sei… guardo-me para ti no tempo do que vivemos,
somando o que queremos ainda viver…
quantas músicas ainda estão por dançar?
Hoje é domingo e TU, não estás…

adormecer em ti


preparo-me para te encontrar,
decido ir…
esperas-me …
encontramo-nos os dois,

as minhas palpitações estão ao rubro pelas fantasias, tuas e minhas,
espero… ver-te deitado no meu leito…
entregar-te meus braços, apertar-te… contra meu corpo, fechar os olhos,
sentir tua mão deslizar, deslizar pelos meus ombros, até chegar às minhas mãos…
mãos de sentir, tocar… como pincéis delicados a bafejar sopros de cor, tanta cor
a cor do momento, ininterrupto… quero perder o norte… e encontrar-te apenas…
perder-me contigo no deserto das sensações corporais, onde permanecem, nossos olhares…
como te quero,
ainda te quero,
escorres em mim, fecho os olhos, quero sentir-te,
desabrochamos um para o outro, não sabemos quanto vai durar, mas temos a certeza de querer fazer durar, durar… confio em ti…
podemos beijar-nos… sentir nosso sabor por todo o corpo, despimo-nos para nos sentir-mos,

sente-me
quero romper-me contra ti… rompe entre braços e pernas, entre os meus sons, fazemo-nos perder de prazer, intensificamos nossas alterações biológicas, naturais… só com o toque… esse toque que nasceu comigo… rodopio vivo, uma espiral de sentidos, acendem lentamente…
este, fogo que só tu consegues fazer vibrar… esperei para to devolver…
quero adormecer em ti,
apaixonadamente…

sábado, 20 de dezembro de 2008

Caír no tempo...

Os resíduos marcam o compasso de espera, necessário à assimilação total da experiência.
Nessa espera, é possível que o Ser repita a experiência para poder absorvê-la com a devida segurança.
Então se dará o aparente salto qualitativo, que na verdade representa uma transição lenta. O exemplo do
relógio esclarece melhor este problema: quando as pancadas de uma determinada hora soam no relógio, surpreendendo-nos, isso acontece porque os ponteiros já fizeram o percurso de 60 minutos para bater a hora surpreendente…

Cair no tempo é sair da espera e entrar na temporalidade para realizar-se a si mesmo.

A sexualidade é a condição que deve concretizar no tempo histórico o poder criador do homem e da mulher, na conjugação efectiva dos elementos biológicos, sob a regência do Amor. O sexo é o instrumento dessa realização genética que exige do casal humano a doação total dos poderes espirituais e corporais nele concentrados, no acto da criação. Como me parece mesquinha a concepção vulgar do sexo como mecanismo animal de natureza inferior! A mecânica sexual do gozo pelo gozo é um aviltamento da função genésica, cuja finalidade última é a encarnação do Ser, primeiro passo da ontogênese terrena.

Nos “casais” evoluídos o acto sexual não se reduz ao prazer sensorial. Este é apenas a chispa do fogo vital que desencadeia todo o processo da criação humana. A mulher acolhe o homem em seu corpo e em sua alma sem a inútil agitação animalesca, e o homem a envolve no seu poder fecundante com a naturalidade e o êxtase do Sol a envolver a Terra para fecundá-la. Só a mesquinhez do vulgo, do vulgar homem incapaz de compreender a grandeza de um acto criador poderia ter feito, disso, motivo de escândalo, malícia e pecado, acrescentando,
a vulgaridade com que algumas mulheres o “fazem”…

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Um peregrino entre dois mundos


"mais do que qualquer ser humano ou qualquer outra pessoa tento viver a minha existência evocando um artista… eu… construindo um obra.
Não quero apenas criar, pintar o primitivismo de mulher ou a harmonia ingénua de uma vida selvagem e rudimentar mas, sim essa outra forma de vida da mesma forma que, um artista vê e expressa o seu mundo, mostra o exotismo, a magia, mostra o corpo com ligação à “arte” de ser e viver a fantasia e a ordem.
Gosto, por isso, de imaginar-me percorrendo o caminho abraçado a alguém, indiferente ao reconhecimento dos outros, crítico do meu próprio ser, procurando beleza ao “outro”… Quem são os outros? – um homem, famílias, conjuntos humanos, companheiros de vida… momentânea…

Selvagem no sentido de encontrar a virtude dos demais, de mim própria, enobrecida pelo homem, pela harmonia com a natureza… pretendo agarrar a felicidade.
Sob o rótulo da cultura, também me encontro espiritualmente, mesclada com o público extasiado, entre telas embrulhadas enfeitando os grandes salões de todo o mundo, me encontro, num festival de música, nas tradições de um povo, onde ressaltam sua vivência pictórica de cores coloridas, fortes, tão fortes, tão reais… telúricas… e fico impressionada.
A ordem é inevitável para não fracassar, como se um marinheiro me sentisse e, mesmo viajando… continuamos nos amando: associando o desejo de tranquilidade de um, associado à nostalgia do outro, não podendo ser quebrado pela distância «divorciados sem divórcio» cada um seguindo o seu caminho.
Ergo-me do alto, as casas outrora adormecidas, encontram-se agora envoltas pelo azul do céu, acabei de acordar, as nossas figuras humanas em primeiro plano não perturbam este silêncio.
Aproximo-me, aqui, algo hesitante, não olho indiferente ao mundo da mesma forma que ele, que tu, mas sim para um mundo vivo, sempre em movimento, onde a indiferença não existe.
Contraponho o amor vs. a momento de experiência, ao pormenor estático, à luz trémula, onde a atmosfera do leito onde fizemos amor mantém-se fria, onde aqui o pintar deixa a sua marca à distância.
Inevitavelmente a arte de amar leva-me energicamente a responder a tal provocação que se desenvolveu dentro de mim, continuo a desenvolver a minha crítica própria, estou a ser apenas eu.
O sucesso interior que obtenho em tudo que me entrego, dá-me razão, participando na exposição do dia a dia.

Encontro-me, com olhos de observador, em movimento luminoso, essa sensação é provocada por linhas de cor, muito próximas umas das outras. É como um colorido nervoso, que se estende sobre um motivo pictórico – autêntico momento de criação, dinâmico de mudança, permanente, posso agora entregar-me inteira á vida livre; com vontade, com o carácter que sempre desejei.
Se fosse um quadro, que contornos tomariam este momento, que linha de arte seguiria [momento expressionismo ou impressionismo, ou o meu próprio estilo] seria uma dança com quantas pessoas, uma dança sem ninguém, simplesmente eu; respeitando os valores morais….?
A fuga da civilização do Homem Sem Moral, sem valor leva-nos a refugiarmo-nos, a afastarmo-nos o mais possível daquilo que a ilusão confere ao meu corpo… Uma força misteriosa nos coloca naquele momento, mas qual o efeito de ir mais além, de o viver com ilusão, leva-nos a um enquadramento espacial destabilizador e subvertido.
A superfície de ambos os dois, pelos menos de um não reflecte a realidade, fazemos amor como se trata-se de uma natureza-morta, sem profundidade…. Por uns momentos esqueci-me da minha tarefa e, não cumpri – o equilíbrio – segui a força misteriosa, o efeito de “fazer”, seria bem diferente de o “desejar fazer” os corpos voltaram a estar estáticos, nem monumental se conseguem tornar… que estranha sequência… de sentimentos incompreensíveis.
Encontro-me, agora no sentido da ordenação, os motivos tornam-se agora mais reais fora da ilusão, que me levaram a ti… a que me conduzi… ou conduziste.
A arte oriental não escapa aos meus objectivos, a todo o exotismo que emprego, no que me rodeia… todo ele é delicadeza subtil de arte oriental: o plano de formar algo em conjunto com a forma, todos os seres continuam sempre dentro de mim e me faz seguir lentamente.
O compasso do dia com o sol, expande luz… sempre com a maior luminosidade de amor, do amor… não vivo romances, sou mais divergente… comandada pelo nível artístico demasiado profundo, antes de superficialmente.[1811200815:00]"

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

De um ser

Díficil a escolha para a primeira postagem, mas sem mais nem menos... um belo começo, e porque de um ser se trata ...
"aqui, passei a tarde de hoje, uma tarde silenciosa entre o som das ondas o barulho do meu interior, num turbilhão de encontros e desencontros, na busca incessante de mais um momento vivido, na simplicidade.... acompanhada pelo silêncio da vida, empreender momentos únicos num espaço onde sou sempre bem acolhida, sobretudo ouvida e entendida, faço-o desde pequena, adolescente... as nossas conversas são profundas e longas, pacíficas, veículadas no eco do som, quando dou por mim ainda ali estou, envolta pela LUZ... que me envolve todos os dias, com coragem de empreender mais um súbtil segundo do meu ser, não passo sem esta imensidão ... de beleza, à qual sou sempre convidada, sem desculpas, sem ressentimento de coração aberto, preparado para partilharmos nossos momentos vividos, desejos, prazeres, angústias, alegrias, saúdades... esperança de qualquer coisa que se anceja que chegue e fique para sempre...

Hoje levei comigo um "pequenino" livro, entitulado “Renúncia” sobre uma história... de amor, será? ainda não sei... espero que na sua companhia me possa entender, encontrar o rumo... ao mesmo tempo, faz-me perder os sentidos, a vibração, vem da mistura entre doce e salgado, a dor e a conquista incessante, entre ser desejada e não desejar, amar e nao querer amar, mas sempre querer viver. O meu viver.

Breves encontros marcam nosso ser, sem saber porquê. Que estará o universo a querer dizer-me... tenho de lá voltar... todos os dias... não desisto, simplesmente insisto na resposta." [02112008_21:02]

[atravesso o vidro através do som]

Algo excêntrico, alucinador «The official video for Hard Times, taken from the album 'The Bachelor' - released in June 2009. Directed by Ace Norton.»