domingo, 15 de novembro de 2009

TUNA de VETERANOS de Viana do Castelo



unidos pelo compasso;

pelos momentos de farra;

pelo ouvido;

pelos tunos;

pel'a música

pela terra

pelo amor


Um pequeno excerto... "Cantar de emigração" - Rosália de Castro




Certame de Cuarentunas de Viana do Castelo 02 03 Maio 2008 Teatro Sá de Miranda
Ouçam lá!!!

Homenagem ao Mestre Pedro Barroso
Dia 30 Novembro - Teatro Sá de Miranda em VIANA DO CASTELO
Para quem ainda não ouviu....




"Esperança" Pedro Barroso com Tuna de Veteranos de Viana do Castelo e Coral Polifónico de Viana do Castelo Certame de Cuarentunas de Viana do Castelo 02 | 03 Maio 2008 Teatro Sá de Miranda

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

a transportar

dos apêgos à loucura
..
voam transitóriamente
.
palavras transportando
..
sentimentos nobres

domingo, 6 de setembro de 2009

} POLAR

> Imagem: XV Bienal de Vila Nova de Cerveira 2009 (Forum Cultural.Pavilhão 2)
PROJECTO DE FÁTIMA LAMBERT “INCORPORAL, SIMULACRO OU INTANGÍVEL”
Autor: MARCELO MOSCHETA
Título: "CIRCULO POLAR ARTICO"/2007
[..].[....]

Entro no polar das suas pernas
Ouve-se o bater de uma porta
Soltam-se algumas palavras enigmáticas…
E’la traz consigo o mistério intrépido
Escorrega, escorrego nos seus lábios
SERPENTEIAM-SE labirintos

Entre os cálidos contornos,
Insisto em: domar… domar
Derretem-se os pólos quando não estamos,
Quando nos imaginamos
Quando tentamos domarmo-nos
Quando exaltamos a profusão polar

sábado, 8 de agosto de 2009

holidays by DAY







{Moledo e St. Tegra (Espanha)}



{Queda d'água Pincho - Rio Ancora -S. Lourenço da Montaria}







{Vegetação zonas ribeirinhas do Ancora}



{Sil,Carla e Bruni}



{Interior Gil Eanes - Viana do Castelo}




{Jantar Empresa Qta. do Cruzeiro - Francisco&Celeste}



{Jantar Empresa Qta. do Cruzeiro: Ruimiguel&Moi}



alguns momentos em férias com família, amigos, ambientes diferentes....) atmosferas circundantes

quinta-feira, 16 de julho de 2009

SAl_e_CorPo




afago o ar que vem,
entro pelo mar (a)dentro
encontro a brisa que vem de longe,
ouço o silêncio,
o som que fica, permanece
salpica meu corpo
com sabor a gotas salgadas

entro, na nossa magia
os desejos ultrapassam todas as ondas do sentir
tremo de ardor interior
o meu corpo entra em contacto com o teu
escorregamos,
sentimos na nossa língua o sal atravessando a nossa pele
sedentos de tocarmo-nos,
perdemo(nos) no mar (a)dentro

a água intensifica a inevitável viagem...

esta é a poesia que desejo ouvir de ti
está é a poesia que escolhi para nós
!afaga-me!

terça-feira, 14 de julho de 2009

UM MOmenTO úNIco

Um momento único,

vivido, inacabado...

em desiquilíbrio...

puro...

abafado em desesperos mudos,

entre o esqueleto da mentira,

onde o obstáculo estimula

uma fogueira intensa

um sofá, uma varanda...

nunca fui poeta, mas faço estremecer...

as colunas do teu corpo,

a cobardia repugna os sentimentos frios...

entre nós: um único momento

para além das entrelinhas, um único perfil: maria

onde a minha "inconstância" te fez revelar , revelar... até (...)

desistir... ela é completamente doida!!!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cultura Artesanal_ HELLA JONGERIUS




Leva-me a iniciar uma viagem à linguagem dos objectos, talvez uma viagem à mistura da cultura artesanal, através dos desenhos de HELLA JONGERIUS, entende a ideia de arte ligada ao contexto e não à utilidade. Natural de Holanda, começa por estudar carpintaria, passando a interessar-se pelo desenho do objecto, estuda desenho industrial na academia de Eindhoven, após um percurso inicial, cria a sua própria marca Jongeriuslab, situada no dilema: "o único frente ao industrial, o futurista de 2050, frente ao passado do ano 1700...", nela encontramos o romântico de uma menina com os pés na terra e o indústrial da poderosa mulher cosmopolita. Procura oferecer peças únicas com origem em processos industriais, usando novas técnicas e materiais, misturando elementos mais vanguardistas e revolucionários com tradição artesanal. Conjuga arte com vida, a ruptura com o ambiente e com o pré-estabelecido, toca quase o impossível... um presente para os nossos sentidos.


IKEA PS Pelle, Mikkel and Gullspira Date: 2009 Commissioned by: IKEA, Sweden

Em 2009, cria "wallhangings" comissionado pelo IKEA e o programa da Unicef, ajudando mulheres indianas a criarem a sua própria subsistência para que os seus filhos possam ir à escola. Aqui, encontramos a delícia dos humildes, através de peças têxteis elaboradas à mão, com o calor das cores e o conceito dos animais proposto na linha de trabalho de Jongerius...


“They refer in an abstract way to animals featured in Swedish fairy tales. Animals have already been featured in much of my earlier work; they trigger first and foremost the imagination. An animal has the power to be familiar; expressing moods comparable to the moods of human beings, and at the same time an animal remains puzzling.” in
Atrás dos desenhos de Jungerius, verás muito mais que "desenhos"!

terça-feira, 30 de junho de 2009

OLHAR_de_DENTRO


A história da erupção do ser, é o mesmo que Eu, que Maria, não é um caminho dourado, nem como o de uma personagem do Mago de OZ, nada mais longe dessa realidade. O meu percurso é a busca da linguagem, talvez, uma viagem ao coração da gente, como fazia Marilyn Monroe: só trabalhava para que a quisessem, mas eu procuro interpretar – a interpretação do mundo que me rodeia, interpretando-o com um único meio: aquele que sei transmitir as minhas inquietudes, escrevendo um sentimento, uma história real desde dentro, sincera, cheia de vivências, de lágrimas, pelo que nunca chegou ou já se foi, pelo momento perdido, pelos problemas, e hoje pela alegria de ser como sou.
Esta é a minha forma de dizer aos outros que podemos desfrutar da vida sem demasiadas coisas, só com as necessárias para nos sentirmos bem.
Por vezes queria mudar o mundo, talvez torná-lo mais real ou duro, mais (…) é uma viagem que leva tempo, um longo tempo talvez. Quanto? Não sei. Quanta dedicação… mas, é um desafio todos os dias aceite.
Através de um mínimo contacto, um texto, uma música, um som, uma voz, uma imagem, uma fantasia, conto o que vou descobrindo, o que o outro me leva a descobrir – a cada dia.
Só com um fim: tentar fazer com que a vida não deva ser tão difícil como às vezes queremos torná-la ou como a pintamos, onde existem milhares de experiências sem preço, e que são assim…
Seria mais fácil encontramo-nos na fonte onde nasce a felicidade…
As entrelinhas desta história são “elos” em estado puro, representam e plasmam tudo o que são as minhas inquietudes, os meus medos, as minhas paixões, o meu amor, reflectindo…
Tento oferecer sempre o melhor de mim, às vezes não consigo.
Se és capaz, dentro de esta mulher há muito mais que dureza, insegurança…
Se o descobrires terás entrando no meu mundo, que é o mesmo que Eu.
[para um ser especial]

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Um clique::: [O início]




O "olhar" do desconhecido sobre Mim _

Na verdade, a realidade simulada produzida pelas novas tecnologias nunca me atraíu, mas de facto, há algum tempo, frequento um programa de conhecimento, do qual têm ressaltado algumas experiências enriquecedoras para o entidimento da realidade que me cerca e de mim própria. Por muito que teime, envolvo-me de alguma forma, porque sou um ser humano que não vive sem se relacionar. Pensei... vou dedicar alguns momentos do meu blogue ao primeiro momento em que duas pessoas iniciam, e avançam no processo de conhecimento, que na maior parte das vezes é fulminante, nao chegando a percorrer os passos necessários para o amadurecimento dos nossos desejos.

Para além da curiosidade de não sabermos quem afinal "toca_nas_letras_do_teclado_invisível", mesmo após o som de uma voz... me pergunto: Como será? Que pretende?.

Este é um pequeno excerto dedicado por um homem "O Desconhecido" que nada conhece de mim e eu vice versa, mas que do pouco contacto que mantivemos e sem nada pedir, após termos ouvido as nossas vozes, resolveu deixar-me uma mensagem sobre como me vê, sente...não sei, aqui vai:

«O Desconhecido »
Tens um olhar doce e suave, és muito convicta daquilo que dizes, achas-te segura e tens um grande coração de manteiga. A tua postura é tão forte que faz pensar os outros, já te magoaram e marcou-te imenso, esta tua firmeza é a prova disso, não procuras um amor, condiz mais contigo ele aparecer e te convencer, sentes algum medo nestas coisas, acreditas que alguém vai ter de trabalhar e muito para te conquistar, és uma reserva para provadores de bom gosto, tens um ar muito sério e um charme sem limites, tens 75% de introvertida o resto deixas para a imaginação dos outros, és bastante autoritária o que faz de ti uma personalidade forte e perspicaz, estás sempre atenta ao mínimo detalhe. Também és flexível e neste contexto vais vendo sempre até onde os outros querem chegar. Com toda a sinceridade do mundo, gostei imenso de ti, as tuas qualidades deixam-me maravilhado. Acredito que não vá Ancora ou Viana por tua causa, mas também acredito que em Guimarães fico muito orgulhoso de te ter conhecido, falar contigo ao telem não foi um passo. Um beijo com muito carinho de quem teve o privilegio de ter "teclado" contigo. Obrigado pela foto, és de facto uma mulher fantástica. O Desconhecido.»


Não vou aqui, tirar elações ou conclusões, pois o tempo encarrega-se dessa análise consciente e incosnciente.


Agora apetece-me SORRIR e ver-me sorrir!

>>>>>>La musique>


«la musique est un écho d’états dont l’expression conceptuelle était le mysticisme; un sentiment de transfiguration, d’illumination chez l’índividu. Ou encore, La conciliation des antinomies internes à l’intérieure d’une synthèse nouvelle, la naissance d’une tierce réalité»

NIETZSCHE, Friedrich. La volunté de la puissance, p. 387

[Na imagem, Caminha invernada, encharcada ao início da noite, iluminando a aurea de quem ali passa e não fica indiferente, esta é a música que bate em meu ser]

Michael Jackson....:my king


Momentos de alegria,

cresci querendo ser alguém maior,

dançando ao teu som,

tentando imitar os teus passos,

ali... estava eu ainda "bem pequena" vidrada no televisor.


Marcamos a história de nossas vidas, continuamos marcando.

Irreverentes, diferentes...

uma presença que me leva a outro mundo...

ao qual vamos com o nosso espírito sempre que desejamos,

esse és tu...

a memória é eterna,

eternamente recordo, revivo, todos os momentos

residente onde só nós os dois habitamos

hoje a dança é tua:moonwalk

eu acompanho-te

para sempre



sábado, 20 de junho de 2009

SoNs de CUba [COMPAY SEGUNDO] DUETS

Viagem até aos anos 50 com COMPAY SEGUNDO, numa alegre manhã de sábado inspirada com sabor único: duets – fenómeno da música popular de cuba, matém-nos sempre o ouvido atento dilacerado a começar pelos legendários Lorenzo Hierrezuelo e Francisco Repilado. A duas vozes marcam encontro com o som das guitarras, mistura de culturas com Charles Aznavour, Cesária Évora, Lou Bega, Elíades Ochoa, Pío Leyva, Sílvio Rodrigues, Pablo Milanês, António Banderas, entre outros. Apresento, agora Saludo a Changó com KHALED, cantor argelino, [letra de Armando Dulfo] numa interpretação onde dois homens a duas vozes se identificam em contrastes que se tocam.



Não resisto em apresentar “algo” divinal, desfilando pelas ruas de cuba, entre o correr apressado dos táxis, o correr das crianças, os "rabos de saia" adornando as janelas, as cores, os contraste da cor da pele transpirada entre lábios carnudos, entre todos, despoletam-se todos os sons e odores, entre este e o outro charuto... solta-se a guitarra numa cidade efervescente que acredita nos sonhos: Buena Vista Social Club, uma casa de shows que desapareceu na década de 50 dá origem em 1996 (com o produtor musical Ry Cooder) a um disco "Buena Vista Social Club" onde reúne artistas cubanos que tocavam na década de 40 e 50 nesta casa de shows, entre eles, participam Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Omara Portuondo, Eliades Ochoa, Faustino Oramas e Rubén Gonzáles. Este momento deu origem, ainda, ao documentário com o mesmo nome (1999) realizado por Wim Wenders [http://www.wim-wenders.com/art/buenavistasocialclub.htm], onde reúne as histórias, a vida e a música dos vários cantores cubanos… e o seu reencontro no palco para o mundo.

alguns momentos ...




quarta-feira, 17 de junho de 2009

_abraÇo




o som, a música


tem a capacidade de transformar,


acabar com a anemia
que percorre todo os ser interior

abuso, deliro
é verdade

traz até mim aquele abraço ausente...

domingo, 7 de junho de 2009

> elle me devore


Entre as sombras
Entre a pouca luz
Um perfil
Um movimento
Apaga e Acende.

Entre meus olhos
Seu perfil
Ondulante, macio como veludo
Impossível tocá-lo
Impossível ultrapassar a pouca luz.

Vivo por um instante
Devora-me num olhar
Esse corpo que se desenha
Devora-me,
O mais belo momento.

Despe-me a alma
Transporta-me para a magia
Sem tocar,
Solta-se a fera vil.

DEVORA-ME.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Ele não eXISTE

«Quero ouvir a tua voz junto ao meu ouvido
mas, bem junto do meu ouvido
e sem aparelhos electrónicos pelo meio
porque do ouvido
passa à face
percorre toda a suavidade do teu rosto
roça ligeiramente nos lábios
passa para a outra face
deliciosamente suave

por fim volta...
e toca os lábios

o mundo pára
só existem dois seres
respiram um para o outro
numa cumplicidade brutal

por fim, beijam-se
um beijo quente
abrasador

todo o corpo treme
perdemos os sentidos
depois do beijo quente
abrasador
onde os corpos tremem e os sentidos se vão

onde a única realidade
a pura da realidade
é o instinto animalescamente puro
que vive desse calor
vive de um estado de inconsciência pura

usufruindo de cada segundo
cada milímetro
do corpo

até ao êxtase

(hhhuummmm)

meu deus
tens razao
eu tou completamente louco...isto nao é normal»

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Mayra Andrade

Apresentação do novo album "Stória Stória", amanhã 04 de Junho 21h30 - Coliseu do Porto

Uma das minhas companhias nos últimos dias (...)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

As seis cordas

As seis cordas
Uma viola que embala
E apaga o ontem
Surge um registo novo: o agora

Abraçado a ti
Nascem momentos de paz, de ira… de amizade íntima, de harmonia
Transportamo-nos para o espaço
Não é um namoro,
Mas sim fruto de um diálogo entre tu e eu…

As palavras não surgem
Mas a comunicação continua
Surge um grande afecto
Entre os meus dedos, o nosso toque
Respondes ao som dos meus dedos
Movimento perpétuo
Raiz do nosso ser
Entre as seis cordas
Quantos segredos
Quantos mistérios
Transformados em Sol

Uma valsa
Ao fundo o rio sobre a noite
Nós os dois entre fantasias, baladas
Em memória dos sentimentos passados
De um romance,
Um amor inacabado,
Um desejo nunca conseguido,
Um grito que teima em não sair…
Uma vontade de fugir
Um sentimento inútil
Um ser incapaz
Enquanto tudo isto devolves-me o sentir
Quando atingimos o êxtase durante trinta segundos…
O teu nome soa entre o som: a minha viola

Quebra-se o som, ferem-se os sentidos
As seis cordas arrebentam o meu interior
Porque o ego da luxúria se apoderou de ti
Pelo S. fraco de uma violação desenfreada pelo vazio
Pela precocidade vil numa tentativa estéril
De um mero encontro de prazer banal

Dizes “ironia do destino”
Acredito antes, escolher o animal incapaz que está dentro de ti

As seis cordas adormeceram
Porque não sei as notas que me ensinaste
Porque não me deste hipótese de aprender a tocá-las.
[27.05.2009]

terça-feira, 26 de maio de 2009

O SILÊNCIO II


Reconheço a minha dificuldade por vezes em lidar com o silêncio que vem dos outros, então para ultrapassar e dizer o que me vai na alma, passarei a descrever o meu dia de ontem, preenchido com alguns momentos de silêncio em circunstâncias diferentes, procurando entender-me e entender os outros.

O dia de ontem, segunda-feira, inicia-se com uma viagem a Trás-os-Montes (Chaves) percorrida por Ourense-Verín, com o objectivo levar o meu pai a visitar seu pai e, visitar meu avô, hospitalizado. Após a burocracia do Hospital para visitarmos o nosso familiar, vimo-nos obrigados a entrar pela porta do cavalo. Finalmente chegamos ansiosos ao Piso 5, Medicina 2 ENF. 2 Cama 6. (O seu quadro clínico com noventa e dois anos é flutuante entre uma pneumonia grave e a extracção recente de um carcinoma no nariz que ultrapassou a pele.).


Não é fácil estabelecer o encontro com alguém que nos segurou a mão, trabalhou horas a fio os campos com as mesmas mãos e, agora todos os seus órgãos se remeteram ao silêncio, em que o que ressalta é o esforço em respirar pela boca e o barulho das máquinas. Estacada bem à sua frente ele não me vê, não me ouve, será que não me sente? É um estado em que somos obrigados a remetermo-nos ao seu silêncio e às memórias de outros momentos. Senti-me inútil pois o meu desejo em confortá-lo como o fizera outrora, tinha mudado. Agora, mantive-me conversando com ele em que as palavras surgiam mentalmente mas não chegavam à boca, pretendia que o seu coração ouvisse e já não os seus ouvidos. Este traduzia o primeiro momento em que me encontro com o silêncio, mas este teimava não ser o único.

Ao seu lado na cama 5 um Homem, com alguma idade, cabelo e barba completamente branco, sobre uma pele bem morena, com marcas de queimaduras antigas, ressaltavam os seus olhos azuis ternurentos. “Magro como as palhas”, estatura bem alta em que a magreza ressaltava todos os ossos e todos os movimentos internos do seu corpo, como se a sua pele fosse transparente. Era um ser desconhecido que me olhava e que provavelmente me queria dizer algo, mas na linguagem onde o silêncio do momento é avassalador… aproximei-me. Reparei que queria puxar o leve lençol. Tinha os braços presos à cama e estava ligado ao soro. À medida que me aproximo ele fala comigo e diz-me baixinho, pois poucas eram suas forças: «Nunca fiz mal a uma mosca», repetidamente, eu escutava novamente. Não tive palavras, olhei-o dentro dos seus olhos redondos azulados e acariciei o seu rosto. Ali estávamos nós os dois dando algum calor aquele silêncio do momento. Repeti este gesto, enquanto me dizia ter perdido a mulher e que se conseguisse fugir dali nunca mais voltaria. Mantive-me ainda mais algum tempo cobri-o, e ele esforçava-se por fechar os seus olhos, mas em poucos segundos os voltava abrir. Continuei tocando o seu braço e o seu peito para que sentisse que ainda ali estava. Mas não pude permanecer o tempo que desejávamos, chegou o lanche e tive de abandoná-lo naquele silêncio.

Aquele silêncio é extremamente “pesado” pois estou diante de homens fortes, que se debatem entre resistir ao fio da vida, e querer sair dali, para onde… não sei. Talvez voltar para a vida que tiveram, ou talvez algum arrependimento… que só chega quando se encontram ali sozinhos em silêncio, despidos de coragem, de arrogância, de grandes actos… resta-lhes a pele e osso.

As horas continuavam a marcar o tempo e o silêncio, o dia ainda continuava e mais tarde após este dia um último momento de silêncio. Este estabelece-se com outro ser masculino com quem venho ou vimos a travar algum conhecimento afectivo e que desde domingo passado, entre telefonemas e mensagens, surge como resposta: o seu silêncio. Silêncio este sem um porquê? Mas que me obriga a ficar em silêncio com poucas forças após um dia repleto de emoções. Como entender, que duas pessoas na flor da vida se remetam a este silêncio, quando um dia serêmos tomados pelo silêncio sem termos optado. Ou será que a condução das nossas vidas limita a forma desse silêncio?

Antes de adormecer, peguei no meu fiel amigo Mohandas K. GANDHI: a minha vida e as minhas experiências com a verdade. Procuro juntamente com ele o entendimento da sua vida e que este me possa levar ao entendimento da minha. Digamos que estabeleço sempre que posso um diálogo profundo entre cada passo dado, os que dei hoje e preparar-me para os ainda não chegaram.
No livro (a parte que acompanho actualmente) GANDHI conta a sua vida no momento que vai estudar para Inglaterra em vários episódios que marcam a sua experiência. Um desses momentos intitulado 18. a timidez é o meu escudo, (página 73) fala sobre o silêncio e diz-nos o seguinte: «a experiência ensina que o silêncio faz parte da disciplina espiritual daquele que busca a verdade. A tendência para o exagero, para suprimir ou adulterar a verdade, consciente ou inconscientemente, é uma fraqueza do homem, e o silêncio é necessário para que se possa superar estes momentos.»
Reflectindo sobre as palavras de GANDHI, transportadas para os momentos vividos em silêncio de ontem - poderemos dizer que o meu avó, aquele desconhecido e até mesmo o ser masculino afectivo de que vos falei - estarão naquela condição face a face com a verdade? Terá chegado o momento consciente de toda a verdade das vidas deles? Não tendo uma resposta, espero chegar a esse momento enquanto os meus órgãos não entraram em silêncio, num adormecimento que não respondem aos estímulos, aos sentidos… que não respondem ao outro ser que está diante deles.

Nunca estou preparada para me remeter ao silêncio, ao silêncio dos outros… poderemos ficar em silêncio não impondo aos outros o nosso? Tudo é uma aprendizagem, iniciamos quando reflectimos.



Este dia leva-me a repensar a nossa forma de vida, para nós próprios, para todos os outros seres com os quais nos cruzamos... e que se verdadeiramente respeitarmos e amarmos chegaremos a esse estado? Temos de evoluir, num processo lento? Será essa a razão do nosso ser... estou em vigia...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

GRÃO


Grão de areia
Grão frugal
Grão de cério
Corpo arredondado
Sabor a amêndoa

Os dias são preenchidos com sementes
Dos quais brotam raízes…
a Terra…, entro no seu interior
Surgimos na sua superfície
Pé sobre pé, escolhemos como caminhar


Ao longe admiramos grafismos
Traços, vazios, cores perpétuas
Para os olhos que ainda ficam…
Solta-se a poeira de todos os seres
Solidificamos, esquecemos partilhar.

Para onde caminhamos?
Quem caminha ao nosso lado?

Pequenas partículas cintilantes
Pequenos grãos de “ser”…

Rolam, formam, desejam
Florescem campos de batalhas
Derrama a chama… ressaltam texturas
Leves e ténues
Sopra… e tudo se transforma em poeira.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

a CORRENTE

[Imagem:Steven Prezant/Corbis < Texto e Design ERUPÇAO_DO_SER]


[atravesso o vidro através do som]

Algo excêntrico, alucinador «The official video for Hard Times, taken from the album 'The Bachelor' - released in June 2009. Directed by Ace Norton.»